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Professores e funcionários também aprendem com a mentalidade do crescimento

23/03/2015 -

Já discutimos aqui os benefícios de fomentar uma mentalidade de crescimento entre os estudantes, prática que lhes confere maior confiança, segurança e disposição em se esforçar. Pois se esse incentivo mental é tão vantajoso para os alunos, por que haveria de ser diferente em relação aos professores? Hoje, vamos discutir sobre como os gestores de instituições de ensino podem promover a mentalidade de crescimento entre o corpo docente e os funcionários.

A mentalidade de crescimento é um conceito que se construiu em oposição à ideia de mentalidade fixa. Enquanto a primeira encara a inteligência como uma capacidade que pode ser desenvolvida e aprimorada, a mentalidade fixa é a crença de que temos uma inteligência nata: alguns nascem com mais, outros com menos, e não se pode modificar a capacidade cognitiva. Embora todas as pesquisas científicas corroborem com a primeira teoria, ainda há muita gente que precisa ser convencida de que um pouco de esforço nos torna mais hábeis mentalmente.

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“Ainda estou aprendendo”, uma frase célebre do mestre Michelangelo
[FONTE: Principal’s blog]

A maneira que encaramos nossa própria inteligência tem um grande efeito no nosso desempenho em qualquer tarefa. Quem acredita no seu potencial de desenvolvimento tende a se esforçar mais e correr mais riscos, sem temer novos desafios. As falhas e erros são vistos como passos necessários para o sucesso. Já quem acredita nas habilidades natas tende a desistir no primeiro erro cometido, uma vez que encaram isso como seu “limite”, tornando impossível ultrapassar os obstáculos.

Um dos pontos cruciais para fomentar a mentalidade de crescimento é dar o tipo certo de feedback aos profissionais. Em vez de elogiar a inteligência de alguém, é melhor reconhecer seus esforços e trabalho duro. Um professor interessado em desafios será mais inovador e poderá trazer novas estratégias de ensino para a instituição, assim como um funcionário esforçado poderá contribuir com a administração, se estiver disposto a enfrentar dificuldades.

Além de feedback, uma maneira de incentivar os professores a aderir à mentalidade de crescimento é colocar o tema na pauta dos cursos de atualização. Os educadores devem debater o tema abertamente e serem convidados a servir de modelo a seus alunos. Quando virem seu comportamento refletido nas atitudes dos estudantes, eles valorizarão ainda mais a prática.

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Quem acredita em seu potencial tem mais chances de vencer obstáculos
[FONTE: priotime]

Mas não basta passar a responsabilidade aos professores. Os gestores também precisam cumprir a sua parte e manter um ambiente propício aos esforços e às inovações trazidas pela sua equipe. Isso significa entender que ocorrerão falhas no percurso, e os erros cometidos devem ser considerados etapas necessárias para chegar a um patamar mais elevado. Para que os equívocos se tornem degraus no crescimento, é preciso haver tempo para refletir sobre o que deu certo e o que deu errado em uma nova ideia. Mas, em vez de gastar tempo decidindo se a ideia obteve sucesso ou se foi um fracasso, é melhor focar nos aprendizados obtidos ao longo do caminho.

Criar uma mentalidade de crescimento entre os profissionais é um processo demorado, mas os resultados podem transformar uma instituição. Você já tentou algo parecido em sua atuação?

Seis iniciativas da SXSWEdu 2015 para se inspirar e acompanhar

20/03/2015 -

Entre os dias 9 e 12 de março deste ano, Austin, no Texas, recebeu centenas de pessoas para mais uma edição do SXSWEdu. Evento voltado às inovações na educação que faz parte da família South by Southwest de conferências e festivais, a qual incluiu também edições de música, cinema e interatividade. Além do SXSW Eco e o SXSW V2V, que trata de empreendedorismo e reúne startups e empresas de capital de risco e acontece em Las Vegas, Nevada. Mas em qualquer que seja a temática, a criatividade, que tornou o South by Southwest uma iniciativa reconhecida, estará presente. Na edição de 2015 do SXSWEdu não foi diferente, e mostramos aqui alguns exemplos de ideias em desenvolvimento que podem inspirar gestores, professores e até alunos do ensino a distância.

swsxSXSWEdu acontece em março, em Austin, Texas, nos Estados Unidos
FONTE: Divulgação

Zapton

Uma das 10 startups selecionadas na competição LaunchEDU, do SXSWedu, a Zaption, levou para casa o prêmio máximo: US$ 2.500,00. E não foi por acaso: seu projeto, em desenvolvimento, permite que os educadores criem vídeoaulas interativas a partir de outras já existentes na internet. Basta, para isso, adicionar nos vídeos elementos interativos, como texto, imagens e perguntas, tudo com ajuda do software da Zaption. Em resumo, trata-se de um programa de edição online que convida o professor ou mesmo o aluno a fazer suas anotações no próprio vídeo. No vídeo abaixo, é possível compreender bem do que se trata a plataforma e o quanto ela pode auxiliar professores e alunos de EaD.

GlassLab

A GlassLab é uma organização focada em ajudar os alunos a aprender por meio de jogos digitais. Eles aproveitaramo SXSWEdu para reforçar algumas parcerias com especialistas em jogos comerciais, de aprendizagem e de avaliação. Dentre as empresas que estão nesse barco, figuram grandes nomes como Electronic Arts, Zynga, ETS, o Institute of Play e a Entertainment Software Association. A empresa também recebeu financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates e da Fundação MacArthur.

Como já sabemos por aqui, no Desafios da Educação, um dos benefícios do aprendizado baseado em jogos é que ele coloca os jovens em um ambiente no qual eles estão mais acostumados e em que se sentem mais confortáveis para errar e também para perseverar até que obtenham sucesso. O formato jogo também fornece um feedback imediato, que pode ser usado pelas instituições para medir dados qualitativos, como a capacidade de pensar criticamente. Entre os jogos que o GlassLab expôs estavam o SimCityEDU, que coloca os estudantes no comando do escritório do prefeito de uma cidade fictícia onde eles devem equilibrar suas necessidades de emprego, a felicidade dos cidadãos e o impacto ambiental.

Brainly

De origem polonesa, o Brainly é uma rede social de aprendizagem que pretende ajudar os alunos com suas tarefas de casa, reforçando a lógica de pares com um aplicativo para smartphones e tablets. Conforme Michal Borkowski, CEO da empresa, explicou ao Education Dive, a própria plataforma impede que os estudantes enganem o app e o utilizem para obter as respostas dos trabalhos que precisam desenvolver sozinhos. As respostas são monitoradas para garantir que seus usuários estão realmente indo além disso. Um problema de física discutido na plataforma não trará apenas a resposta, mas detalhes sobre o conceito por trás daquela resposta. A plataforma também segue os preceitos da gamificação com a existência de um ranking que incentiva os alunos a responder mais perguntas que seus colegas e subir de posição.

Ideaphora

O Ideaphora é outro programa interessante que pode ser de grande utilidade tanto para os professores da sua instituição de ensino quanto para os alunos. Basicamente, ele permite que o usuário quebre o conteúdo digital que recebe em suas aulas de ensino a distância em um mapa de conhecimento no qual ele demonstra os conceitos aprendidos. Atualmente integrada ao BrainPOP, a plataforma identifica automaticamente os conceitos-chave da matéria, os quais funcionam como ponto de partida para a confecção desses mapas de informação, ou esquemas, como costumávamos chamar antigamente. Além de palavras, telas das aulas e imagens podem ser adicionadas para esclarecer conceitos. O resultado é um esquema interativo para o qual os alunos podem sempre voltar para estudar com suas próprias anotações, trechos que acharam importante das vídeoaulas e imagens que os ajudam a relembrar o conteúdo. No vídeo abaixo, fica ainda mais claro como isso funciona:

GoEnnounce

Com o GoEnnounce, os alunos criam perfis em que eles podem mostrar suas atividades extracurriculares, de trabalho voluntário, além de um resumo da sua vida estudantil. A ideia é criar uma espécie de e-portfolio que inclusive pode ajudar o estudante na hora de conseguir uma vaga em uma instituição de ensino, uma bolsa ou mesmo um emprego. Além disso, no GoEnnounce, eles podem se conectar com mentores que são alertados para cada atualização do seu perfil. Para além de sua função principal, o site também oferece aos alunos uma plataforma de crowdfunding para que eles possam arrecadar dinheiro para cumprir vários objetivos, desde ajuda com materiais específicos até financiamento de um semestre no exterior, por exemplo. O site também oferece prêmios de US$ 500,00 mensais em bolsas de estudo patrocinadas pela Sallie Mae Upromise. O vídeo abaixo também é bem explicativo.

Refme

Por mais prazeroso que seja estudar, o processo de montagem de citações em trabalhos de pesquisa é complicado, e os inúmeros estilos e normas por vezes confundem. Algumas ferramentas como o Citation Machine já estão mercado, mas o Refme promete ir além. O site gera automaticamente citações, listas de referências e bibliografias baseadas em livros, revistas, sites e muito mais. Os alunos podem pesquisar em sua base de dados por livro ou título do artigo de jornal, ISBN, ISSN, ou URL, ou podem, também, digitalizar um livro ou código de barras da revista com ajuda do aplicativo móvel. O processo é bem simples, e o site é compatível com mais de 6.500 estilos de referência. Veja no vídeo quão prático para ser o resultado dessa iniciativa:

Computadores à obra: a automação no preparo de aulas

18/03/2015 -

O que aconteceria se um computador definisse as lições de cada aula, em vez do professor? Essa pergunta começa a encontrar respostas em uma experiência que está sendo realizada na cidade de Nova York, nos Estados Unidos. Diversas escolas estão adotando um programa de ensino de matemática que inclui a automação de diversas tarefas, entre elas, a distribuição de atividades para cada aluno conforme seu desempenho e progresso. Os primeiros resultados são promissores.

A mudança traz novas abordagens em diversos aspectos, até mesmo no espaço. As pequenas salas foram substituídas por espaços enormes, onde até 150 alunos se acomodam em seus computadores e são divididos em grupos menores, os quais receberão o auxílio do professor. O objetivo é criar um ambiente de transparência e favorecer a colaboração, mesmo que cada grupo esteja envolvido em um conteúdo diferente. No caso da EAD, espaço nunca é problema, e as turmas podem conter ainda mais alunos. Nesse cenário, a automação por parte do computador se torna essencial, já que permite ao tutor se focar em outras questões, dando atenção aos alunos e não à avaliação de testes.

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O professor continua desempenhando papel importante na educação mista
[FONTE: Teaching refugees]

Tal modalidade de Blended Learning se baseia muito na personalização do ensino: o computador, é claro, não sorteia as atividades, mas as direciona especificamente de acordo com as necessidades e habilidades dos estudantes. Uma análise de dados – que pode resultar da aplicação de testes ou mesmo de pontos em jogos online – avalia as áreas em que o aluno precisa de reforço e lhe designa mais lições para aprimorar seu aprendizado. Essa interação entre máquina e aluno é a modalidade de aprendizagem adaptativa, já que o software se molda conforme as operações do usuário. Ao professor, cabe seguir o rumo determinado pelo computador e aprofundar o conhecimento que o aluno ainda não conseguiu absorver.

A dinâmica dos grupos varia. Alguns trabalham com a orientação do professor e outros seguem instruções passo-a-passo no computador. E, mesmo em um espaço tão tecnológico, os cadernos e canetas ainda são bem-vindos, sobretudo para uma área como a matemática, repleta de cálculos e fórmulas. O professor Dmitry Vlasov, da escola nova-iorquina, conta que raramente os estudantes precisam de ajuda, muitas vezes, “só um empurrãozinho”. Esse incentivo extra, nos cursos online, pode muito bem vir na forma de vídeo, chat ou troca de e-mails.

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O professor não precisa estar na sala de aula, pode estar na sala da sua casa
[FONTE: pando daily]

O banco de dados de tarefas é elaborado por uma equipe da escola, que pode criar atividades próprias ou selecioná-las de um banco maior, criando, assim, uma biblioteca em consonância com a visão da instituição. Os defensores do programa falam sobre como o sistema proporciona uma experiência individual ao estudante, que pode seguir as lições no seu próprio ritmo, sem ficar para trás no meio de uma turma mais avançada, nem perder o interesse quando está à frente dos colegas. Os críticos acreditam que mais evidências serão necessárias para justificar a adoção do método.

Em todo caso, a participação do professor parece continuar tendo um papel importante. O fator humano ainda é o responsável pela criação do banco de dados, pelo apoio na hora de tirar dúvidas e até mesmo pela sensação de familiaridade do aluno, que tem a quem recorrer pessoalmente. Por ora, o modelo blended tem se mostrado acertado. Em apenas dois anos, as escolas que adotaram a automação apresentaram uma melhoria nas notas acima da média nacional. Já é o bastante para que mais investimentos sejam feitos.

Na Universidade Western Michigan, o professor Gary Miron se mostra entusiasmado com o futuro. O especialista em avaliações, métricas e pesquisa considerou o resultado das escolas “notável” e está ansioso por novos avanços. Para ele, a educação mista é o modelo mais promissor do momento, desde que se invista em qualidade tanto quanto em ferramentas tecnológicas. Você concorda?

Diversidade cultural e inovação tecnológica caminham lado a lado na EaD

13/03/2015 -

Além de ser uma forte tendência e uma solução para muitos alunos, a educação online se tornou um grande negócio, ampliando seus domínios para todos os continentes. Para Harman Singh, CEO da WiziQ, esse protagonismo da educação a distância levanta algumas questões do ponto de vista da diversidade cultural dos estudantes.

A ausência de fronteiras na internet permite que alunos do Brasil tenham aulas com professores dos Estados Unidos, por exemplo. Esse intercâmbio resulta não apenas em uma troca de conhecimento, mas de técnicas de ensino, de formas de aprendizado e até de normas e valores da cultura na qual se está inserido. Tamanho cruzamento merece uma atenção diferenciada em razão dos educadores, que estão na linha de frente com estudantes de todas as partes do mundo, mas também dos gestores por trás dessas iniciativas na web, que precisam abraçar a variedade dentro da sala.

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Alunos do mundo inteiro podem estar no mesmo curso online
[FONTE: Sonya Woodman]

A primeira e mais evidente diferença entre alunos de países diversos é o idioma. Embora se fale muito na “barreira” do idioma, a verdade é que a mistura que correria o risco de se transformar em uma torre de Babel pode se tornar incentivo para uma maior oferta de cursos de Inglês como segundo idioma. Além disso, cresce também a demanda por aulas em outras línguas, o que obriga as instituições a buscarem profissionais de diferentes países, movimentando o setor da educação.

Outro desafio pode ser na maneira com que os alunos estão acostumados a realizar tarefas. Enquanto no Ocidente é frequente a prática do trabalho em grupo, na qual os estudantes criam um espaço de colaboração e são estimulados a assumir papeis de liderança, no mundo oriental, o trabalho acadêmico coletivo não é comum. Essa visão, em parte, se deve ao respeito pelo mestre, que deve ser o centro do ensino em todos os momentos.

Para lidar com as diferentes expectativas, os educadores precisam de muito jogo de cintura. Algumas ferramentas podem ajudar a agradar gregos e troianos, como um programa de aulas em vídeos, que os alunos podem assistir individualmente ou com os colegas. A existência de espaços colaborativos não obrigatórios, como fóruns, salas de chat e murais virtuais, também permite a participação dos mais sociáveis e o recolhimento daqueles que preferem estudar sozinhos.

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Uma turma de EaD pode ter essa cara: idades, cores e nacionalidades distintas
[FONTE: DiT]

Os objetivos de alunos de diferentes países também podem ser bastante diferentes. Para alguns, a educação é um passo essencial no crescimento econômico. Na Índia, um funcionário que ingressa ganhando mil dólares ao mês pode, ao curso de cinco anos, ganhar cinquenta vezes mais, caso se mantenha atualizado e treinado. Em outros locais, a educação não tem um reflexo tão imediato no salário, mas as pessoas buscam cursos para obter maior reconhecimento, satisfação pessoal e novas oportunidades.

Nesse percurso, haverá estudantes mais dedicados e outros para quem as aulas serão menos prioritárias. Enquanto algumas culturas valorizam a educação e enxergam o sucesso acadêmico como símbolo de status, outros países colocam o desempenho escolar em menor evidência. Encontrar um equilíbrio no momento de avaliar esses alunos será uma tarefa fundamental para não desestimular os mais comprometidos mas também para não afastar os menos dedicados.

Por fim, diferenças não culturais, mas de infraestrutura, também influenciam no aproveitamento que os estudantes terão do curso. Acesso rápido, confiável e barato à banda larga de internet é pré-requisito para a popularização da educação online. E mesmo garantidas as necessidades básicas de equipamento, haverá diferente níveis de habilidade dentro da mesma turma. Mais uma vez, caberá ao educador integrar todos os alunos.

Como se vê, a educação a distância depende inteiramente da tecnologia, mas seu sucesso enquanto prática de ensino depende da inteligência humana, sobretudo de professores e gestores. Haverá desafios pelo caminho, mas a diversidade cultural pode enriquecer ainda mais a experiência de aprendizado e contribuir com a distribuição global de conhecimento.

Ensino híbrido em debate

11/03/2015 -

A sala de aula invertida é uma forma de unir o ensino a distância e o ensino presencial, além de ser uma porta de entrada para a utilização da tecnologia na educação. O chamado ensino híbrido, que engloba, entre outras modalidades, a flipped classroom, é o futuro da educação. Alguns teóricos acreditam que, em algum tempo, a separação entre as aulas presenciais e a distância não mais existirá, e o ensino será uma mistura de ambas, com a tecnologia plenamente inserida no meio. Enquanto esse momento não chega, é hora de começar esse processo, introduzindo mudanças e soluções digitais nas classes tradicionais. A adoção da sala de aula invertida, traz o debate sobre as mudanças promovidas pelo ensino na sala de aula. E, se surgirem oposições, eis algumas formas de lidar com elas:

Os receios dos alunos sobre a sala de aula invertida podem fomentar o debate sobre a tecnologia na educação.  Fonte: Flipit Consulting

Os receios dos alunos sobre a sala de aula invertida podem fomentar o debate sobre a tecnologia na educação.
Fonte: Flipit Consulting

Situação 1: os alunos sentem falta da aula expositiva

Uma das grandes questões a respeito do ensino online é a autonomia do estudante. A educação digital permite que o estudante se empodere do seu aprendizado desde o conteúdo até a decisão sobre os horários em que estudar. O que exige uma postura proativa do aluno. Como o único tipo de instrução conhecido é a fala do professor em sala de aula, muitas vezes, os estudantes confundem palestrar com ensinar. Não é porque o professor não passa um período inteiro diante da classe discorrendo sobre um assunto que ele não está lecionando. Pelo contrário, as possibilidades de vivências que a EAD podem, inclusive, enriquecer a experiência de aprendizado. Um questionamento de um estudante a partir da falta de aulas expositivas diante da classe é o ponto de partida para um ótimo debate: afinal, precisamos desse formato? Por que as escolas se constituíram dessa forma? Não é tempo de se reinventar? É importante que os alunos saibam diferenciar a assimilação da transmissão do conhecimento. A sala de aula invertida permite que os alunos utilizem o tempo de aula para aprofundar, tirar dúvidas e questionar o conteúdo, o que é uma forma muito mais interessante de utilizar as reuniões presenciais. O mesmo serve para os alunos da EAD e seus encontros com tutores.

Situação 2: os alunos acreditam que aprendem melhor com o método tradicional

Após passarem anos na educação básica quase que unicamente aprendendo por meio de aulas expositivas, é natural que os alunos acreditem que essa é a forma mais efetiva, ou até mesmo a única maneira de aprender. No entanto, o professor de matemática da Grand Valley State University (EUA) Robert Talbert, PhD em Effective Learning Strategies (estratégias para o aprendizado efetivo, em tradução livre), afirma que, diante de tal argumento, costuma perguntar para seus alunos: quais foram seus três aprendizados mais importantes na vida? A lista do professor inclui falar sua língua nativa, se alimentar e ir ao banheiro. Ao repassar a pergunta para os estudantes, o professor completa: e como você aprendeu essas coisas? Na imensa maioria das vezes, a resposta é uma mistura de alguma instrução com uma sequência de tentativas e erros, juntamente com a pressão social. Ou seja, ninguém jamais responderá que aprendeu tais coisas a partir de uma palestra. Demonstre para seus alunos que existem diversas formas de aprender, para que eles não se prendam à necessidade de um professor diante de uma classe para assimilar o conteúdo de seu curso.

A sala de aula invertida pode ser a porta de entrada da tecnologia nos estudos.  Fonte: Daily Genius

A sala de aula invertida pode ser a porta de entrada da tecnologia nos estudos.
Fonte: Daily Genius

Situação 3: o aluno acha que não tem que se “autoensinar”

Na sala de aula invertida, assim como acontece no ensino digital, é responsabilidade do aluno se apropriar do conteúdo e se preparar para o encontro com a turma, no primeiro caso, ou com seu tutor, no segundo. Muitas vezes, o ato de se “autoensinar” pode ser visto negativamente por alguns estudantes, que acreditam necessitar da presença e das lições constantes do professor. Para iniciar um debate acerca de educação a partir dessa visão nem tão positiva, basta questionar: por que você está estudando? As respostas, em sua maioria, irão variar entre o preparo para uma carreira de sucesso, o crescimento pessoal e experiência de vida. E o que essas coisas têm em comum? Elas estão diretamente ligadas à noção de “aprender a aprender”. Ter uma carreira de sucesso, evoluir de maneira significativa e usufruir das experiências vividas são situações que envolvem o gosto por descobrir e aprender coisas novas. E, principalmente, fazer tais coisas com autonomia. Por isso, os ensinamentos da sala de aula virtual para a presencial são o empoderamento e a responsabilidade do aluno, bem como o desenvolvimento da capacidade de aprender ativamente, guiando sua própria educação. Seja no ensino híbrido, seja no online, incrementar essas habilidades será capaz de formar melhores profissionais, mais independentes e que saibam buscar soluções.

E você? Utiliza métodos híbridos na sala de aula e está se preparando para a sala de aula do futuro? Compartilhe sua experiência conosco.

 

 

O Desafios da Educação é uma iniciativa voltada a líderes e gestores de Instituições de Ensino, que tem como objetivo compartilhar experiências e discutir as melhores práticas em Educação.

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