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Educação e curiosidade: quando uma desperta a outra

22/10/2014 -

Novas teorias surgem a todo o momento na área da educação, mas se tem algo que já foi consagrado pela experiência é que a curiosidade do aluno a respeito de um assunto ajuda, e muito, no seu aprendizado. Baseado nessa premissa, um novo estudo neurocientífico descobriu como o cérebro funciona quando a curiosidade é despertada para compreender de que forma ocorre o aprendizado nessas condições. Estudos como esse são sempre úteis para o educador entender melhor o comportamento do sistema de retenção de informação dos alunos e, a partir disso, poder criar aulas e montar currículos que despertem o interesse e permitam que o ensino aconteça de forma natural e contínua. E, nesse caso, com extrema curiosidade.

Dizem que a curiosidade matou o gato… só se foi de tanto aprender.  Fonte: Aquarian

Dizem que a curiosidade matou o gato… só se foi de tanto aprender.
Fonte: Aquarian

A pesquisa revelou que a melhora na compreensão do conteúdo devido à curiosidade pode ocorrer também com relação a temas que, originalmente, não despertavam interesse no estudante. Basta que cérebro do aluno esteja em “estado de curiosidade”, isso será suficiente para que o aprendizado ocorra mais facilmente. De acordo com um dos cientistas envolvidos no estudo, Dr. Mathias Gruber, da Universidade da Califórnia em Davis (EUA), esse estado permite que o cérebro entenda e retenha todo o tipo de informação, “como um vórtex que suga o que você está motivado a aprender e também tudo o que está ao redor”. Ou seja, se uma parte específica do conteúdo foi capaz de tornar o aluno curioso sobre o tema, isso é o suficiente para estender os benefícios cognitivos de sua disposição ao restante da matéria.

Para a realização do estudo, voluntários ranquearam seu interesse em aprender as respostas de uma série de perguntas em forma de trívia. Enquanto eles esperavam por 14 segundos para a revelação de cada resposta, lhes foi mostrada uma imagem de um rosto aleatório. Após, os participantes passaram por um teste para descobrir quais faces eles conseguiam lembrar. Os resultados mostraram que as pessoas tinham memórias mais sólidas a respeito dos rostos mostrados enquanto estavam esperando por respostas sobre as quais tinham curiosidade. E, mesmo quando testadas no dia seguinte, os resultados sobre a memória permaneceram os mesmos.

A curiosidade sobre o tema torna o aprendizado mais fácil e prazeroso.  Fonte: Backpack Tactics

A curiosidade sobre o tema torna o aprendizado mais fácil e prazeroso.
Fonte: Backpack Tactics

Coautor do estudo, o Dr. Charan Raganath explica que a curiosidade recruta o sistema de recompensa cerebral (que funciona a partir da liberação de dopamina) e são as interações entre esse sistema e o hipocampo (uma das áreas responsáveis por formar novas memórias) que parecem colocar o cérebro em um estado que permite maior retenção de informação, mesmo em relação a temáticas que não despertam, por si só, a curiosidade.  Esse estudo, além de provavelmente despertar a curiosidade de gestores e professores, parece dar pistas a respeito do sucesso de um tipo de ensino personalizado. Não é mais apenas sabedoria a partir da experiência ditando que a falta de interesse em determinados conteúdos dificulta a aprendizagem, é também a neurociência. E, em posse dessa e de outras informações, é possível criar um currículo voltado ao aluno, interessante e que permita realmente um maior aprendizado.

E você? Que experiências têm com o despertar da curiosidade durante o aprendizado? Compartilha conosco e não deixe de assinar nossa newsletter.

Conheça Watson, o aprendiz conselheiro de professores

20/10/2014 -

Do seu computador, em qualquer lugar do mundo, um estudante se conecta à internet para mais um encontro do curso que faz a distancia. Do outro lado, estão não apenas os colegas e o professor, mas também uma inteligência artificial. Durante a aula, algumas dúvidas surgem e, ao invés de anotar as questões em um caderno ou sair do ambiente educacional para buscar informações no Google, por exemplo, o aluno envia suas perguntas para o assistente do professor, Watson. Ao final do encontro, o educador recebe de seu ajudante virtual um relatório com as questões feitas, suas sugestões de respostas e, a partir daí, elucida os pontos da matéria que mais suscitaram dúvidas. Ficção científica? Utopia? Nada disso. O Watson do exemplo acima não só existe como é mais elementar do que aquele que acompanha Sherlock Holmes em suas investigações.

Criado pela IBM, o supercomputador que aprende e fala é o próximo passo no que diz respeito à análise de dados. E de dados, já sabemos, a Big Blue entende. O Watson é um conjunto de hardware e software em computação cognitiva que vem sendo desenvolvido pela IBM desde o início dos anos 2000 e que começa a ganhar asas. Durante alguns anos, sua capacidade de aprender e de gerar conhecimento esteve restrita a projetos do setor de saúde, além de experiências em gastronomia e de uma participação histórica no Jeopardy!, programa de auditório que testa os conhecimentos gerais do qual Watson saiu vencedor em 2011 contra dois ex-campeões. Agora, com a criação de uma unidade de negócios baseada no Watson, o Watson Group, a IBM que levar sua invenção para outras áreas, inclusive a educação.

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Uma das muitas unidades do Watson espalhadas pelos escritórios da IBM
FONTE: IBM Watson by ClockreadyOwn work. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Uma das iniciativas envolve a IBM e City University of New York (CUNY). Trata-se da Watson Case Competition, uma competição para alunos dessa instituição desenvolverem soluções baseadas no poder de cognição do Watson que melhorem o ensino superior ou os serviços públicos da Big Apple. O desafio terá duração de um semestre e premiará as três equipes com as melhores ideias com U$ 5 mil, US$ 3 mil e US$ 2 mil. Essa não é a primeira competição do tipo promovida pela IBM. Em 2013, 25 equipes de estudantes da Universidade do Sul da Califórnia ganharam 48 horas para desenvolver aplicações práticas baseadas no Watson. Além disso, a IBM deu a sete escolas técnicas norte-americanas a oportunidade de aprender computação cognitiva ao incorporar o Watson aos seus currículos.

Outro projeto ainda mais interessante, porém, está em curso no Roosevelt House do Hunter College, onde Watson foi transformado em um conselheiro de professores. Baseado na nuvem, o supercomputador se mostrou um mecanismo de busca muito mais interessante que os atuais, porque, a cada pergunta respondida, ele não apenas entrega uma resposta customizada ao professor, como também aprende com ela. Ainda que seja uma inteligência artificial, Watson é incapaz de fazer julgamentos ou de entender emoções, o que o distancia de um professor de verdade, mas está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana e pela internet. E, com a sua alta capacidade de processamento, ele pode acelerar o processo de pesquisa dos professores, informar os erros dos alunos e, ainda, oferecer sugestões de estratégias de ensino. Watson, ao contrário dos professores, que são especialistas, é um generalista, mas um generalista muito poderoso.

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Watson é um computador que aprende e fala a linguagem natural dos homens
FONTE: Hello Giggles

É claro que a chegada do Watson levanta dúvidas. O blog Ed In The Apple faz alguns questionamentos interessantes sobre esse viés conselheiro do supercomputador. A interação dos professores com o sistema será avaliada? Ou seja, o professor poderá ser avaliado segundo as perguntas que faz? Como fica a questão da privacidade dos professores? E, além disso, qual o interesse da IBM nesse tipo de uso do Watson? Como sempre, a chegada de novas tecnologias causa certo medo, mas a verdade é que todos sabemos que a tecnologia torna professores e alunos mais eficazes tanto na tarefa de ensinar quanto de aprender. Está aí a EAD para comprovar. E, por mais distante que essa realidade pareça, é bom estarmos antenados. O Watson já está aprendendo português.

O que você acha do uso de uma inteligência artificial em sala de aula? Teme ou é um entusiasta? Compartilhe conosco sua opinião e assine nossa newsletter para ficar a par das últimas novidades.

Entenda a dislexia e aprenda a lidar com ela nas atividades de ensino

17/10/2014 -

Antes de inventar a lâmpada, o fonógrafo, o gramofone e aprimorar o telefone, Thomas Edison, como a maioria de nós, frequentou a escola. E, quando tinha apenas seis anos de idade, ele saiu da aula e voltou para casa com um bilhete escrito pelo professor, direcionado a seus pais, que dizia “seu filho é estúpido demais para aprender”. O que esse profissional de atitude mais que questionável não sabia é que Edison não era nada burro, apenas disléxico.

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Muita gente enxerga o erro de cara; muita gente não.
[FONTE: Fonoaudiologia]

A dislexia é causada por uma formação diferenciada do encéfalo, que gera dificuldades de aprendizagem, geralmente no campo da linguagem, mas que também podem abarcar a matemática e a orientação espacial. Embora não haja consenso quanto às estatísticas, estima-se que de 10 a 20% da população mundial tenha algum grau de dislexia, entre o leve e o severo. Apenas este dado já deveria bastar para que professores e gestores estejam atentos aos sinais de dislexia e, sobretudo, para que aprendam a lidar com essa dificuldade para não deixar um próximo Thomas Edison para trás. Por isso, hoje apresentamos dez recursos preciosos que nos ajudam a entender melhor a dislexia.

#1 Neste artigo, o professor doutor Sally E. Shaywitz, da Universidade de Yale, remonta as origens dos estudos da dislexia e tenta responder à pergunta que pasma professores: como pode acontecer de alunos verdadeiramente brilhantes terem dificuldades em tarefas básicas como soletrar palavras? É uma excelente introdução ao assunto e um bom começo para apreender a desassociar inteligência de habilidade linguística.

#2 O pesquisador Kelli Sandman-Hurley idealizou este breve vídeo para defender a neurodiversidade. Quem pode dizer o que é um cérebro normal e classificar todos os outros de anormais? Hurley apresenta fatos sobre dislexia e, mais do que isso, nos surpreende com a imensa gama de conexões possíveis no cérebro humano, além de colocar o espectador “normal” diante de simulações de dislexia.

#3 O documentário “Embracing Dyslexia”, dirigido e produzido por Luis Macias, traz comentários de pesquisadores, professores e pais de alunos disléxicos, além de depoimentos pessoais de portadores de dislexia. Em menos de uma hora, o vídeo mostra como educadores podem ajudar os estudantes e como o sistema escolar pode se adaptar para integrar os disléxicos na sala de aula.

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Um texto comum pode parecer uma sopa de letrinhas para quem tem dislexia
[FONTE: Leo Magan]

#4 Este artigo elaborado coletivamente pelos membros do National Center for Learning Disabilities lista um leque de sinais e sintomas da dislexia que pode ajudar a identificar portadores de diferentes idades. O artigo também traz dicas de como contribuir com a autoestima dos disléxicos, lembrando-os de que dificuldades com linguagem não significam déficit de inteligência nem incapacidade cognitiva.

#5 Nenhum caso de dislexia é igual a outro. O site Dyslexia Reading Well reúne métodos diferentes para trabalhar com pessoas diferentes. Com estímulos variados, é possível lidar com as diversas subcategorias de dislexia. Depois de entender as bases do transtorno, aprender a diferenciar a disgrafia, a discalculia e a dispraxia, o interessado poderá investigar os recursos disponíveis para cada tipo de dificuldade.

#6 Este artigo de Patrick Wilson se aprofunda em quatro pontos que todos os educadores devem entender sobre o cérebro disléxico. Desde a desconstrução da escrita, até problemas de memória, Wilson explana as várias faces da dislexia. Bem equilibrado, seu texto esclarece sintomas e causas, além de exemplificar a força criativa que, com frequência, se esconde atrás da mente disléxica.

#7 Também na defesa da diversificação de estímulos, a International Dyslexia Association publicou um artigo no qual enfatiza as vantagens de uma abordagem multissensorial na educação de alunos com dislexia. Mesclando estímulos visuais, auditivos e, até mesmo, táteis será mais fácil encontrar as melhores técnicas para fazer cada aluno se sentir empoderado em sua própria aprendizagem.

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O cérebro disléxico é diferente da maioria, e isso afeta sua visão de elementos da matemática
[FONTE: fine art america]

#8 Em formato de guia, este artigo descreve métodos simples, mas eficazes, para se comunicar com alunos disléxicos. Algumas práticas dependem apenas da iniciativa do educador, como usar várias cores para escrever no quadro, esclarecer as regras de ortografia e criar avaliações que levem em consideração a criatividade do estudante tanto quanto os acertos formais. A tecnologia também traz soluções simples, como a fonte OpenDyslexic, uma tipografia criada especialmente para o cérebro disléxico, facilitando a leitura de textos na tela.

#9 Um relato pessoal às vezes é a melhor maneira de ter uma verdadeira noção do que significa ser portador de um transtorno. Neste depoimento, o professor Neil Cottrell conta como ele venceu as dificuldades que encontrou ao longo da vida acadêmica por ser disléxico. Em alguns momentos, bastou a boa vontade de um professor que lesse os textos em voz alta; em outras situações, ele contou com a ajuda do celular para organizar suas tarefas. Apesar dos obstáculos, Cottrell provou ter tanta capacidade quanto qualquer um de seus colegas.

#10 Para mostrar que os disléxicos estão em excelente companhia, a professora Lori Bourge escreveu este artigo celebrando a vida de gênios que viveram e criaram mesmo sendo portadores de dislexia. Entre eles, estão Albert Einstein e Pablo Picasso, e isso já deveria ser o bastante para acabar com o estigma de que disléxicos são menos hábeis, não é mesmo?

E você? Já teve alunos disléxicos em sua instituição? Como você trabalha a integração e a neurodiversidade em sala de aula? No Brasil, os educadores também podem contar com um rico recurso em português: o site da Associação Brasileira de Dislexia traz dados, notícias e conecta pacientes e profissionais da saúde.

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Inovação disruptiva e educação superior: 3 coisas que você precisa saber

15/10/2014 -

O termo inovação disruptiva, ou tecnologia disruptiva, é utilizado para definir o dispositivo ou o serviço que surge para simplificar ou revolucionar outro já existente. Por exemplo, a fotografia digital, em comparação com a analógica, é uma tecnologia disruptiva, assim como o telefone em relação ao telégrafo e a televisão surgindo após o cinema. Muitas vezes, essa inovação torna o produto mais acessível às massas. Na educação superior, um grande exemplo desse tipo de inovação é o surgimento dos MOOCs (Massive Online Open Courses, ou cursos abertos e massivos online), que mudaram as perspectivas do ensino. O professor de administração da Escola de Negócios de Harvard Clayton Christensen enumerou três pontos importantes a serem considerados a respeito da inovação disruptiva no ensino superior. Confira:

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O LED é um dos maiores exemplos de inovação disruptiva, conceito que está passando a iluminar também a área da educação.
Fonte: Brian Solis

#1 A inovação combate a falta de consumo

Uma força disruptiva, como uma instituição que promove cursos abertos, é teoricamente capaz de gerar grandes efeitos porque oferece um produto para pessoas que não estão sendo servidas pelo core business (área central de um negócio, definida pela estratégia da empresa dentro do mercado). Ou seja, o púbico que não consumia tal serviço antes, passa a ser um de seus públicos-alvo. De acordo com Cristensen, esse é um método que está sendo bem utilizado pela educação superior, pois muitos modelos estão se voltando para o adulto já inserido no mercado de trabalho, possibilitando que ele estude a seu tempo e conveniência. Para ele, é importante que as instituições de ensino superior continuem utilizando esse conceito a seu favor, mirando na parcela da população que não é contemplada pelo serviço tradicional.

#2 A inovação foca em um novo público-alvo e em um novo conceito

Como dito anteriormente, o foco da inovação disruptiva não é o core business que, no caso da educação superior, são os jovens recém-saídos do ensino médio e que irão se dirigir a universidades. Os primeiros MOOCs trouxeram consigo inovação, pois introduziram a ideia de um curso com a mesma qualidade de uma instituição tradicional sendo oferecido global e gratuitamente. Apesar de utilizarem recursos humanos provenientes de instituições físicas – os professores -, os MOOCs não vendem o conceito do acesso a essas pessoas dentro da instituição de ensino, mas, sim, a ideia do acesso mais fácil ao conhecimento. Ou seja, a tecnologia promove não apenas uma maior acessibilidade a um serviço, como uma reformulação do próprio serviço.

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A inovação disruptiva procura públicos fora do core business, como os adultos que já trabalham e querem retomar os estudos.
FONTE: Evollution

#3 A inovação exige modularidade

Na tecnologia da informação, o termo modularidade é utilizado quando um software é dividido em diversas partes que operam separadamente para formar o todo, tornando-o mais eficiente e de mais fácil manutenção. Essa ideia deve ser utilizada pela instituição que busca utilizar tecnologias disruptivas: é preciso ter a habilidade de se rearranjar e usar suas diversas peças conforme a necessidade. Para exemplificar, Cristensen traz o conceito de “multiversity” (algo como multiversidade), que propõe que os alunos sejam capazes de utilizar currículo, professores e outras fontes de conhecimentos oriundos de diversas universidades, criando sua própria educação.

Outro exemplo de modularidade são os nanodegrees (nanograduações), que são cursos mais curtos, flexíveis e precisos, voltados a estudantes que querem certificações específicas, em vez de grandes graduações. Para o especialista, os currículos tradicionais sempre terão público, mas é importante que as instituições estejam aptas a oferecer, também, uma variedade maior para quem quer ter opções. A adaptação ao aluno do futuro é uma questão de sobrevivência na área da educação.

E você? Conhece algum exemplo de disruptura na área da educação? Compartilhe conosco! E não deixe de assinar nossa newsletter.

 

Os desafios da geração Z para educadores

13/10/2014 -

Atualização é palavra de ordem para quem trabalha com educação, especialmente a distância. Não só porque novas tecnologias surgem a cada dia, mas porque, com a popularização da EAD, a sala de aula se tornou ainda mais heterogênea. Hoje, em um mesmo grupo de aprendizado pela internet, é possível encontrar estudantes de diferentes partes do Brasil, quiçá do mundo, e de várias gerações. Em um texto do site Edudemic, a autora Karen Van Vliet afirma que em poucos anos teremos cerca de cinco gerações diferentes no mesmo mercado de trabalho e que esse é um dos motivos para educadores aprenderem a lidar melhor com os mais novos, a Geração Z.

A Gen Z, como também é chamada, é fácil de identificar: são jovens nascidos entre 1995 e 2009 que mantêm suas cabeças sempre baixas não porque são submissos, mas sim porque estão mergulhados em seus dispositivos móveis. À primeira vista, eles podem parecer pouco amigáveis com seus fones de ouvido a tiracolo, mas a verdade é que eles interagem de uma maneira distinta com a sociedade. Segundo um artigo de Dennis McCafferty, citado pela autora do texto, 60% dessa geração gostam de compartilhar conhecimento online, uma habilidade bastante interessante em tempos de EAD. Além disso, 64% dos jovens dessa geração contribuem para sites porque eles gostam de aprender sobre coisas novas, enquanto 76% acham que as experiências online ajudam na conquista de seus objetivos.

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Geração Z é a mais conectada de todos e isso, trás soluções, mas também problemas
FONTE: Edudemic

Se conectar, de fato, não é um problema para esses jovens, mas outros tipos de interação comuns à vida nas empresas são. Para a Geração Z, é mais complicado comunicar suas ideias, compartilhar opiniões e debater sobre um argumento. De acordo com Karen, por passar grande parte dos seus anos de formação na frente de um computador, esses futuros profissionais desconhecem o trabalho em equipes colaborativas, não sabem se portar em discussões cara a cara e menos ainda falar em público. Sua habilidade para explorar várias soluções para um problema não é madura como nas gerações anteriores, e essa é uma das frentes que os educadores precisam atacar.

Os alunos da Gen Z têm mais dificuldades em explicar, elaborar e defender seu raciocínio sobre um determinado tópico. Por isso Karen sugere que os professores tenham sempre em mente sete habilidades de sobrevivência que precisam trabalhar com seus alunos mais novos. E não apenas pensando em prepará-los para o mercado de trabalho, mas para a vida:

  • Pensamento crítico e resolução de problemas
  • Colaboração entre redes e liderança pela influência
  • Agilidade e adaptabilidade
  • Iniciativa e empreendedorismo
  • Comunicação oral e escrita eficaz
  • Acesso e análise de informações
  • Curiosidade e imaginação

Como sempre, a internet possui um grande arsenal de ferramentas que ajudam o educador a dialogar melhor com cada geração, especialmente essa mais nova. Karen sugere que os professores e gestores façam uso da tabela KWHLAQ (Know, Want, How, Learn, Action, Question, ou, em português, Conhecimento, Querer, Como, Aprendizado, Ação e Questionamento).

K What do I know? O que eu sei?
W What do I need and want to know? O que eu preciso e quero saber?
H How will I find answers to my questions? Como eu encontro respostas para minhas perguntas? What am I learning along my inquiry journey? O que eu estou aprendendo no meu percurso?
L What have I learned at the end of my journey? O que eu terei aprendido ao final da minha jornada?
A What action will I take as a result of my inquiry? Como eu agirei ao final da minha investigação?
Q What new questions do I have as I continue my inquiry and after I am done studying my topic? Que novas perguntas eu tenho como uma continuidade da minha investigação e depois que eu terminar meus estudos?

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Tabela KWHLAQ é um método interessante para trabalhar habilidades importantes com a Gen Z
FONTE: Miss Chambersict

Se começar pelo H, de How, ou Como, em português, os educadores podem levar os estudantes a fazer uma análise mais profunda de uma página na web, por exemplo. Como faço para descobrir? Como vou saber quando encontrei a resposta certa? Como isso se aplica ao mundo real? Como isso vai mudar a maneira que olho ou sinto alguma coisa? São algumas perguntas que devem ser feitas para a Geração Z.

Seguido pelo A, de Action, ou ação: Que medidas devo tomar? Esta atitude irá mudar a minha opinião? Esta atitude irá mudar a minha resposta ou minha compreensão? Qual é a consequência desta ação? E, para terminar, um exemplo com o Q, de Questions, ou questões: que novas perguntas eu tenho para fazer?

Como sabemos, o uso de dispositivos móveis e da conexão com a internet são irreversíveis. Uma vez que o os educadores não podem mudar isso, é preciso trabalhar para influenciar e ajudar a melhorar seu comportamento, para quem esses jovens tenham as habilidades sociais que os empregadores e a sociedade como um todo esperam. E você, já se deparou com esse conflito de gerações? Conte para nós sua experiência e assine a nossa newsletter para mais debates a respeito.

O Desafios da Educação é uma iniciativa voltada a líderes e gestores de Instituições de Ensino, que tem como objetivo compartilhar experiências e discutir as melhores práticas em Educação.

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