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A importância de dominar a tecnologia na educação a distância

18/08/2016 -

EAD

Pesquisas apontam que o ensino híbrido ou semipresencial pode ser mais efetivo do que o tradicional por estimular trocas de conhecimento entre os alunos

Por Pavlos Dias*

O blended learning, conhecido no Brasil como ensino semipresencial ou híbrido, não é uma novidade. Usado há quase 20 anos, o termo foi ouvido pela primeira vez foi no mundo corporativo para definir um tipo de curso que permitia a trabalhadores continuarem seus estudos sem prejudicar a rotina. Com a popularização no Ensino Superior, por trazer a mesma flexibilidade para a educação – de profissionais que podem continuar estudando, ou de estudantes que podem trabalhar –, o semipresencial está presente em diversas instituições de ensino brasileiras.

> Leia também: A educação online precisa formar competências

Misturar o EAD com encontros presenciais trouxe uma nova experiência para estudantes, principalmente no que se refere à qualidade da educação. E é comprovado: o semipresencial traz resultados mais efetivos que o tradicional. Um estudo conduzido pela Atilim University em 2015, na Turquia, com um grupo de 110 estudantes mostrou isso. Os estudantes realizaram as aulas de Introdução a Computação no presencial e online e disseram ter aprendido mais no EAD, por causa do compartilhamento de informações nos fóruns, vídeos e imagens que apoiavam os exercícios facilitavam a retenção do conteúdo. Diferente do presencial, em que o professor expõe o conteúdo, fomenta uma discussão (em que nem todos precisam participar) e os alunos vão para casa pesquisar e fazer seus trabalhos, no EAD, o estudante acessa o material em qualquer hora e lugar, e do mesmo modo, inicia seus trabalhos e projetos; além de ter mais interação com o educador. No entanto, por melhor que seja o curso a distância, ainda é preciso vencer os preconceitos sobre a qualidade dos cursos, conteúdos e docentes.

Cada vez mais as instituições brasileiras oferecem cursos na modalidade para atender um gap da sociedade – de pessoas que moram longe das universidades, trabalham em horário comercial, têm família, e dispõem de horários alternativos para se dedicar aos estudos. Além disso, as instituições conseguem centralizar o ensino no estudante, promover debates no ambiente online, e os alunos podem seguir o próprio ritmo de estudos. Diferente do presencial, onde as aulas acontecem no horário marcado e a aprendizagem é mensurada pelo desempenho do grupo e não do indivíduo, o EAD permite acompanhar de perto o desenvolvimento do aluno. Mas, para que os resultados aconteçam, o professor/tutor precisa ter familiaridade com novas tecnologias para estar mais próximo do estudante.

O ensino a distância traz um debate amplo sobre a necessidade contínua de qualificação do corpo docente. Quando se fala em adoção de Tecnologias da Informação para facilitar o processo de ensino e aprendizagem, o treinamento de professores precisa ser visto como uma necessidade tão comum quanto a especialização dele na sua área de atuação. Afinal, eles serão a vitrine do investimento da instituição no ambiente virtual de aprendizagem, e, se souberem usar bem a tecnologia, os alunos também serão motivados a fazer o mesmo. Gerando, assim, resultados reais de aprendizagem.

Não tem como fugir de tecnologia quando se fala em EAD – seja 100% online ou híbrido. E, embora as instituições de ensino tenham um papel fundamental em oferecer capacitação, o corpo docente também pode tomar algumas iniciativas para investir na própria aprendizagem sem depender 100% da instituição. Alguns exemplos são os cursos online, formação de grupos de estudos com colegas mais ‘heavy users’, e leituras sobre como integrar as TICs com as novas metodologias ativas de aprendizagem.

Por fim, é preciso ressaltar que o docente tem um papel fundamental na educação a distância, e não é só de mediar discussões e compartilhar conteúdos, mas de enxergar o estudante como um indivíduo que tem dúvidas, certezas e incertezas. Por isso, o seu papel não será substituído pela máquina, pelo contrário. Da mesma forma que quadro negro e o livro complementaram o seu papel em sala de aula, a tecnologia fará o mesmo. E, ela precisa ser enxergada como um meio de trazer qualidade à educação, que é a ponte para a conquista de objetivos profissionais e pessoais dos alunos.

* Pavlos Dias é Gerente Nacional da Blackboard Brasil

O que os empregadores realmente pensam sobre a educação a distância?

09/08/2016 -

educação a distância no currículo

Os avanços tecnológicos permitiram que mais universidades dispusessem programas online. Embora eles tenham sido inicialmente criados para os alunos que não podem participar de programas tradicionais, como estudantes mais velhos e pais que trabalham, hoje, pessoas de todas as faixas etárias e por diferentes motivos estão se matriculando em cursos de graduação e certificados online.

Enquanto o ensino a distância está se tornando comum, alguns alunos em potencial ainda estão hesitantes em se inscrever devido a preocupação de como seus diplomas serão vistos pelo mercado de trabalho pelos futuros empregadores. No entanto, esses velhos estigmas estão desaparecendo rapidamente, e a educação online está sendo tão aceita quanto os formados tradicionais.

Veja quais são os antigos estigmas e como os potenciais empregadores realmente veem a educação a distância.

Velhos estigmas e preconceitos

Pessoas que se opõem à educação a distância disseminam uma crença de que as aulas online são mais fáceis do que as tradicionais, e que os alunos podem completá-las em seu próprio ritmo. Na verdade, a aprendizagem não presencial exige muita disciplina do aluno. Há, ainda, um plano de estudos e atribuição de prazos que devem ser cumpridos. Os estudantes também precisam participar regularmente de fóruns de discussão. Na verdade, a capacidade de ser bem-sucedido em um curso online mostra aos empregadores que você é um proativo motivado.

Outro equívoco é que os professores podem não ter tanta qualidade quanto os do ensino presencial, porque os estudantes são aprendizes que fazem sua própria gestão. A realidade é que muitos professores são verdadeiros especialistas em seus campos, com uma gama de experiências. Não só recebem treinamentos especiais sobre a tecnologia que utilizam, mas precisam ser mais acessíveis ainda aos seus alunos. Eles trabalham mais horas não convencionais, respondendo aos trabalhos dos alunos e a consultas com mais frequência. A educação online é, essencialmente, mais individualizada.
Por alguma razão, programas de educação a distância levaram o estigma de serem de qualidade inferior do que os tradicionais. Muitas universidades de prestígio já oferecem cursos online, incluindo Stanford e Harvard. Os estudantes de hoje são tecnologicamente mais experientes, e as universidades entenderam essa demanda. Por meio de uma oferta de aulas online, elas podem atender a uma população global de talentos, em vez de apenas os estudantes das proximidades.

Uma das coisas mais bonitas sobre o ensino a distância é que ele torna a educação acessível a estudantes talentosos em todos os lugares, incluindo os pais que precisam estar em casa, os indivíduos que sofrem de doenças e enfermidades e as pessoas que moram em locais distantes. É também adequado a diferentes estilos de aprendizagem, inclusive para os alunos que não se sentem suficientemente desafiados pela educação tradicional. Conforme mais escolas virtuais abrirem em todos os níveis de ensino, os cursos a distância irão ganhando o respeito que tão legitimamente merecem.

A importância da certificação

As instituições de ensino oferecem programas online e presenciais equivalentes. Quando você procura um curso em potencial, certifique-se de que a instituição é credenciada. O processo de certificação é rigoroso e irá indicar que o programa é de qualidade. Isso também irá ajudar os futuros empregadores a verem que você se matriculou em uma instituição séria, em vez de em uma “fábrica de diplomas” – que fazem promessas irreais, como a formação em tempo reduzido, sem exigir dedicação dos alunos.

O que a educação online diz sobre você

Há uma série de características que o estudante deve possuir para ser bem-sucedido em um programa online: autogestão, iniciativa e planejamento do tempo, além de ser conhecedor de tecnologia. Muitos estudantes de educação a distância ainda concluem seus cursos tendo outras responsabilidades, como filhos ou um emprego. Apesar dos desafios e da limitação de tempo, foram perseverantes, indicando outra importante característica da personalidade.

Essa formação também demonstra iniciativa, já que requer um grande esforço e aprendizagem autodirigida. Essa é uma excelente maneira de promover seu valor para níveis superiores e cargos gerenciais. A gestão do tempo é altamente valorizada pelos empregadores, e a aprendizagem online exige que você seja capaz de gerenciar cuidadosamente sua agenda e de priorizar as demandas.

Finalmente, conhecer as habilidades do mundo moderno é necessário para ser bem-sucedido na indústria de hoje, e a educação a distância certamente ajuda a moldar esse conhecimento de melhor forma do que o ensino tradicional.

Como os empregadores realmente veem a aprendizagem online

Primeiro de tudo, como acontece em qualquer formação, as notas não importam. Em seu currículo, você deve incluir o nome da instituição em que completou sua formação, sua média geral e seu curso. Esteja pronto para explicar como a grade curricular foi estruturada e em que tipo de projetos você trabalhou.

Pesquisa realizada pelas instituições Excelsior College e Zogby International (publicada pela CNN, em inglês) teve resultados predominantemente positivos. Dos CEOs e empresários entrevistados, 61% estavam familiarizados com programas online e 83% concordaram que os programas estavam tão qualificados quando os tradicionais.

Cenário macro

A educação online não prepara você somente para a economia local, mas você pode competir em um nível global. Pode acessar cursos a partir de qualquer local, a qualquer momento, sem estar restrito a ofertas em sua localidade, e poderá cursar programas aceitos internacionalmente, o que permitirá que você trabalhe em qualquer lugar do mundo.

Além disso, sua universidade local pode não oferecer cursos de certificação especiais, como contabilidade ou terapia de beleza, mas eles são encontrados online, tornando seu currículo muito mais comercializável. Você é completamente sem restrições.

Mais empregadores estão oferecendo educação online a seus funcionários para dar formação adicional e especialização necessárias para as promoções, uma vez que é menos caro e mais flexível. O Huffington Post explica que a redução de custos da educação online pode representar um terço de economia (artigo em inglês), comparado ao ensino tradicional. Isso é um dinheiro do orçamento sendo investido em outro lugar.

Por fim, leia artigo em português sobre o perfil do aluno de educação a distância, apontando que foco, disciplina e autonomia são características cada vez mais procuradas no mercado de trabalho. Os cursos online geram um maior número de candidatos qualificados e com experiências de vida diversificadas.

E maior concorrência gera mais qualificação.

Artigo de Andrianes Pinantoan, traduzido e adaptado, originalmente publicado em InformED

Cinco maneiras de ajudar os alunos a terem sucesso na sala de aula virtual

02/08/2016 -

ensino a distância

Mais e mais estudantes estão migrando para salas de aula online pela conveniência de se graduar podendo estudar do conforto de casa ou adaptando os estudos a sua rotina. No entanto, muitos deles não têm a dedicação e a disciplina necessárias para ter sucesso no ambiente virtual. Muitas vezes, estudantes têm ideias erradas sobre o rigor dos cursos de educação a distância e subestimam a quantidade de horas que devem ser dedicadas para completar as tarefas, discussões, testes e trabalhos. Portanto, é importante que o instrutor defina o tom do curso para ajudar os alunos a terem sucesso. Então, como você pode ajudar seus estudantes a serem bem-sucedidos na aula online?

>> O celular pode ser o melhor aliado do professor no aprendizado
>> Planejamento de sala de aula via programas de televisão, é possível?

1. Forneça instruções detalhadas e antecipe questionamentos

Assegure-se de que todas as instruções estão claras. Providencie um passo a passo e garanta que nenhum detalhe foi esquecido. Não parta do pressuposto de que os alunos vão estar aptos a ler nas entrelinhas, em vez de proporcionar antecipadamente todos os detalhes para completar a tarefa, participar das discussões, navegar pelas aulas do curso, etc. Considere as possíveis questões que eles podem fazer sobre o material e responda as perguntas antes que sejam feitas. Forneça todas essas respostas junto às instruções e comunicados do curso.

2. Poste comunicados

Mostre-se presente postando comunicados. No mínimo, poste um comunicado por semana, com um resumo da semana anterior e uma preparação sobre o que está por vir. Se possível, tente postar pelo menos duas vezes por semana. Os comunicados são uma oportunidade de se manter em contato. Fornece lembretes, esclarecimentos e retomadas para ajudar a engajar e motivar os estudantes e mostrar a eles que você está envolvido no processo de ensino.

3. Forneça exemplos e grades de avaliação

Para minimizar questionamentos e confusões, forneça exemplos das atribuições maiores no curso. Se o trabalho final é um ensaio ou uma apresentação, mostre um exemplo bem-sucedido de algum aluno de anos anteriores (lembre-se de pedir permissão antecipadamente). Fornecendo instruções detalhadas sobre o curso e dando exemplos para os trabalhos mais importantes, você garante que os alunos tenham a expectativa correta de dedicação para determinada tarefa.

Além disso, se você fornecer as grades de avaliação para todas as atribuições, os estudantes saberão como serão avaliados e estarão mais propensos a completar o trabalho da forma correta. Elas irão minimizar as discussões relativas à dedução de pontos e às notas obtidas.

4. Utilize formas diferenciadas de instrução

Todos os alunos aprendem de formas diferentes, e os estudantes em uma sala de aula online não são exceção. Forneça múltiplas oportunidades e formatos de ensino, incluindo vídeos, palestras de áudio e escolhas de projeto que ajudem a engajar e motivar o aprendizado de todos os alunos. O ensino diferenciado incentiva a participação na sala de aula online.

5. Incentive apoio entre os alunos e engajamento

Incentive os estudantes a se comunicarem com seus pares, permitindo que os alunos desenvolvam uma rede de apoio, em vez de ter que contar somente com o professor. Estimule a apresentação dos alunos no início das aulas e incentive que eles continuem conectados ao longo do curso. Aprendizagem online pode ser um caminho solitário, mas não necessariamente precisa ser. Os alunos podem aprender a desenvolver o senso de comunidade mesmo na sala virtual.

Por Amy Hankins, traduzido de Faculty Focus

Sua universidade está acompanhando a evolução dos estudantes não-tradicionais?

26/07/2016 -

Ensino a distância

Por Matthew Small*

A economia global tem causado um impacto significativo no tipo de pessoa que acessa a educação superior. Alguns estudantes mais maduros precisam se requalificar para aumentar suas opções de empregabilidade; outros procuram o curso perfeito em outros países; ou, alunos da graduação precisam trabalhar período integral para pagar os estudos. Cada vez mais, os estudantes do ensino superior são considerados ‘não-tradicionais’. Com uma forte demanda por cursos flexíveis, informações acessíveis e qualificações internacionais reconhecidas, as universidades sofrem uma grande pressão para se adaptar e se tornarem competitivas.

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O recrutamento e retenção de estudantes são desafiadores, principalmente quando a competição vem das diversas opções de ensino. Afinal, os estudantes podem ter uma opinião formada sobre o que querem estudar, quando estarão disponíveis e onde querem estar enquanto estudam. A velha ‘universidade dos sonhos’ tem sido deixada de lado, pois o número de estudantes que estão dispostos a ir à universidade presencialmente, participar de palestras e entregar o trabalho em mãos vem diminuindo.

Novo perfil de aluno

A Blackboard percebeu essa mudança quando viu um aumento na demanda do seu ambiente de aprendizagem colaborativo online, com mais instituições de ensino superior começando a usar as soluções. Passamos algum tempo pesquisando esse novo ambiente educacional e, ao analisarmos os alunos dentro e fora da sala de aula, percebemos que eles estão mais proativos na customização dos estudos e com foco maior em qualificações, a fim de achar o caminho ideal na carreira que escolheram.

Também identificamos que os estudantes estão mais centrados, rigorosos em suas escolhas e com mais expectativas. A tecnologia aparece como a segunda natureza do estudante de hoje, e eles contam com ela para administrar suas vidas. Para eles, no estudo não pode ser diferente. Se todos os aspectos das suas vidas estão na palma da mão, por meio de um dispositivo móvel, então, eles esperam que na educação seja da mesma forma.

Algumas universidades têm feito um esforço apressado para atualizar seus sistemas para entrega de atividades, usando a tecnologia como um ‘jornal mural’, apenas para transmitir informações, sem permitir que os estudantes conduzam sua jornada acadêmica. Muitos operam com um sistema focado em entrega e suporte, desenhado para atender estudantes tradicionais em um modelo de ensino tradicional. Mas, esses estudantes são uma minoria e, certamente, é a hora de mudar.

Ao ignorar o estudante não-tradicional, a universidade enfrenta um risco maior do que ter que lidar com a frustração do estudante, pois sem flexibilidade para participar de atividades como sala de aula invertida, enviar trabalhos online ou engajar estudantes e os membros da instituição pela internet, alguns alunos ficam desmotivados, por não saberem como encaixar a educação em suas vidas. Como resultado, eles estão abandonando os estudos ou correndo para conquistar seus objetivos na carreira e questionando o real valor da educação.

A demanda por um ensino centralizado no aluno vem também do aumento do número de estudantes internacionais e da tendência de misturar e combinar cursos entre universidades, e de vez em quando, entre países – o que ajuda o aluno de hoje a alcançar seus objetivos futuros na carreira. Mesmo com a economia brasileira em crise e o dólar em alta, a procura de jovens brasileiros por cursos no exterior aumentou 600% entre janeiro e julho de 2015, se comparado ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira de Organizações de Viagens Educacionais e Culturais (Belta).

Então, quais são os próximos passos?

Algumas universidades estão mudando a forma como desenvolvem seus cursos, ministram palestras e engajam estudantes. Muito disso tem sido feito com suporte da tecnologia. Afinal, o mundo ganhou a primeira universidade sem papel, o Higher Colleges of Technologies dos Emirados Árabes Unidos, e é apenas uma questão de tempo até que outras sigam a tendência. No entanto, a tecnologia ainda não assumiu a liderança, embora ela permita que a universidade acompanhe o estudante.

Não importa se o aluno tem 51 anos e precisa apenas de novas certificações para se tornar mais relevante no trabalho; ou se tem 44 anos e não consegue pagar por uma formação profissional acessível; ou um estudante de 21, que não consegue articular bem suas habilidades para potenciais empregadores; ou um de 19, que quer conciliar trabalho, estudo e experiência internacional. O estudante tradicional está se tornando uma raridade, e a universidade que reconhecer isso e atender as necessidades dessa nova geração de alunos, terá sucesso ao mudar, para o bem, a forma da educação.

*Presidente da divisão internacional da Blackboard, empresa de tecnologia para educação

O celular pode ser o melhor aliado do professor no aprendizado

21/07/2016 -

tecnologia é alidada da educação

Gustavo Hoffmann*

Uma pesquisa recente da Unesco mostrou que 67% dos estudantes de países em desenvolvimento e emergentes que leem pelo celular consideram o aparelho conveniente para a leitura, porque o dispositivo está o tempo todo com o usuário. Afinal, a mobilidade, disponibilidade de WiFi e redes móveis nas instituições de ensino permitem o acesso a conteúdos de qualidade. Mas, muitas vezes, eles são os vilões do processo de ensino por causa do entretenimento com games, redes sociais e conteúdos irrelevantes para o contexto da aula exposta pelo professor. Como a maioria dos alunos do Ensino Superior é nativa digital e está sempre conectada, na sala de aula não é diferente – o celular acompanha o estudante em qualquer lugar, forçando os professores a se adaptar a essa realidade.

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O celular e o aprendizado

No modelo de sala de aula tradicional, o expositivo, a tecnologia é vista como o fim e não como o meio para alcançar um determinado objetivo. Muitas vezes, o professor expõe o conteúdo, e faz o papel de ‘sábio do palco’, e um mesmo ritmo de ensino é imposto para todos os alunos, que se tornam agentes passivos da aprendizagem. Muitas vezes, nesse tipo de aula, o celular concorre e ganha do professor na atenção do aluno, que pode checar informações em tempo real, acessar qualquer outro conteúdo mais atrativo, e, se a apresentação do professor não for interessante, o WhatsApp e as redes sociais serão. A maioria dos professores não gosta disso, pois os dispositivos móveis são como uma ameaça ao bom andamento da aula.

Já as metodologias ativas de aprendizagem exigem mais do aluno em sala de aula, pois ele não se torna apenas um ouvinte. A tecnologia media sua participação e os dispositivos móveis são indispensáveis por permitirem o acesso ao conteúdo e promoverem a interação entre alunos e professores. Na aplicação do processo de aprendizagem por pares, ou Peer Instruction, por exemplo, o uso dos dispositivos é parte do processo. A proposta das metodologias ativas faz com que o aluno se torne responsável pela busca e construção do conhecimento por meio de atividades que partem de um problema, e o conteúdo é a ferramenta utilizada para apoiar a solução. O acesso pode ser feito em qualquer hora e lugar, quantas vezes o aluno quiser ou precisar, por meio dos dispositivos móveis.

Nesse sentido, um ambiente virtual de aprendizagem é indispensável, pois ele ajudará a instituição a organizar o conteúdo e disponibilizá-lo no formato de vídeo-aulas, podcasts, textos, games e outros objetos que não apenas atraem esse novo aluno conectado, mas facilitam o processo de aprendizagem e respeitam o ritmo de cada indivíduo. Ou seja, a aula (acesso ao conteúdo) acontece fora da sala e a lição de casa (resolução de problemas) na instituição, e por isso, o termo sala de aula invertida ou “Flipped Classroom”. É difícil desvincular esse modelo do uso dos dispositivos móveis.

Modelo tradicional x metodologias ativas

Enquanto no modelo tradicional o uso do celular pode comprometer o processo de aprendizagem, em metodologias ativas o mobile é um grande aliado, quando bem aplicado. Com o apoio de um bom software de aprendizagem com integração para o mobile o aluno pode ter mais acesso conteúdo, dinâmica na interação com o professor e, por fim, o ambiente de aprendizagem criado se trona mais lúdico, com a inclusão de games educacionais ou outras ferramentas que podem transformar a experiência em sala de aula.

Por isso, as instituições devem ter em mente que a tecnologia é um facilitador para o engajamento do aluno, mas que deverá estar sustentado por toda metodologia pedagógica. Rever o atual modelo de ensino não é uma tarefa simples, porque é preciso romper barreiras e pensar em novas metodologias de ensino e aprendizagem, mas é uma mudança que vale a pena.

*Parceiro da Blackboard Brasil, pró-reitor da UNIPAC e diretor acadêmico e de EAD do Grupo Alis Educacional

O Desafios da Educação é uma iniciativa voltada a líderes e gestores de Instituições de Ensino, que tem como objetivo compartilhar experiências e discutir as melhores práticas em Educação.

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