Eventos e notícias sobre o futuro
da educação voltados a líderes
e gestores de Instituições
de Ensino Superior

Uma iniciativa:

Blog

A lógica dos games como inspiração para o currículo acadêmico

31/10/2014 -

Nós já falamos sobre o uso dos jogos no aprendizado, bem como sobre o quanto a gameficação da educação é uma tendência para os próximos anos. Embora saibamos que mesmo os games que não foram concebidos para serem educativos podem auxiliar no aprendizado, agora a novidade é que sequer é necessário inserir o uso de jogos eletrônicos no currículo. Na verdade, a própria lógica com a qual os games são estruturados podem servir de inspiração para gestores e professores. O site Edutopia elencou cinco estratégias utilizadas por designers de games que podem ajudar educadores a tornar suas lições tão engajadoras e interessantes quanto esses viciantes jogos.

A concentração e o engajamento dispendido para os games também podem ser alcançados na área da educação. Fonte: Deseret News

A concentração e o engajamento dispendido para os games também podem ser alcançados na área da educação.
Fonte: Deseret News

#1 Uma história envolvente

Muitos games (assim como livros e filmes) têm seu grande chamariz no enredo da história. O jogador não encontra graça apenas em chegar ao fim e “virar” o jogo, mas em todo o processo que o levou ao sucesso. Essa estratégia é incrivelmente inspiradora para a área da educação. É importante que seja valorizada toda a elaboração de um determinado projeto acadêmico, por exemplo, e que não sirva de avaliação apenas o seu produto final. As etapas de criação e execução também devem ser ricas e prazerosas. Além disso, é interessante que o professor ou tutor oriente o aluno durante esse processo, a fim de que ele reflita sobre o que aprendeu e sobre quais foram seus maiores desafios e surpresas. Se o estudante se vê envolvido com o enredo de seu próprio aprendizado, certamente as chances de um final feliz são maiores.

#2 A lógica da falha

Em muitos jogos (até mesmo os mais simples, como Angry Birds, por exemplo), falhar faz parte do desenvolvimento. Para passar de alguns níveis, é necessário que o jogador perca algum tempo os explorando e conhecendo seus obstáculos, até que possa traçar uma estratégia de sucesso. Essa lógica pode ser transposta para a educação: a falha ensina. Uma dica é estruturar a disciplina de forma que seja possível que o aluno erre diversas vezes durante o curso, em vez de ter apenas uma oportunidade de vencer e correndo o risco de encarar um grande game over. O uso de ferramentas como plataformas adaptativas podem frequentemente testar os estudantes no processo de aprendizagem sem que isso afete suas notas finais. Essa atitude, igualmente, promove um ótimo feedback para a instituição de ensino.

#3 Flexibilidade

Os games são conhecidos por permitirem diversos caminhos distintos para o sucesso: cada jogador pode chegar ao final de um jeito diferente. Esse tipo de flexibilidade pode ser adaptada a um bom currículo. Por exemplo, o curso pode oferecer uma grande missão, que será cumprida por todos os estudantes, e também pequenas missões, que serão cumpridas individualmente, para que cada aluno possa explorar, ao máximo e a seu jeito, as possibilidades de sua graduação. Um exemplo bastante pé no chão dessa máxima são as disciplinas eletivas. Investir nesse modelo de currículo pode ser muito interessante para formar profissionais únicos e com as mais variadas habilidades.

#4 Reconhecendo o progresso

Os programadores de games sabem que podem perder jogadores caso não os conquistem imediatamente no começo do jogo. Esse é um dos motivos pelos quais muitos deles são divididos em níveis, que são prontamente apresentados ao jogador, a fim de que ele visualize sua possibilidade de progresso dentro da história. Cada level desenvolve uma habilidade que será útil para a totalidade do jogo. O próprio sucesso na mudança de fase é um reconhecimento do aperfeiçoamento do jogador. Na transposição para a educação, essa lógica é representada pelo proposta de tarefas gradativamente mais complexas dentro do currículo e pelo oferecimento de constantes feedbacks para o estudante. O reforço positivo e o reconhecimento de cada etapa ultrapassada são muito importantes.

Mesmo os jogos mais simples (mas não menos populares), como o Angry Birds, podem trazer lições interessantes para educadores.  Fonte: Planned all along

Mesmo os jogos mais simples (mas não menos populares), como o Angry Birds, podem trazer lições interessantes para educadores.
Fonte: Planned all along

#5 A construção de um objetivo

Todas as propostas anteriores não são suficientes se o estudante não se sentir engajado na criação de algo que tem um propósito, que signifique algo para ele. Alguns games bem sucedidos, como Minecraft e Civilization (que permitem a construção de estruturas com blocos e de civilizações, respectivamente), apresentam o diferencial de permitir que o jogador estabeleça suas próprias metas e expresse sua criatividade na elaboração de algo complexo e que considere válido. Estimular os estudantes a participar de alguma iniciativa com a qual eles se importam é uma forma muito interessante de aplicar essa lógica ao ensino. Uma estratégia pode ser a criação, por parte da turma, de um serviço voluntário que simule a carreira que pretendem seguir no futuro. Os estudantes do curso de economia podem gerir uma pequena empresa fictícia, vendendo algum produto simples a custo mínimo para a comunidade, já os da área da saúde podem criar um projeto de aferição de pressão em seus bairros, por exemplo.

O uso dos jogos é uma estratégia interessante, mas, mesmo que não haja o acesso aos games ou que eles não caibam no currículo da instituição, suas propostas ainda podem ser bastante inspiradoras. Se os estudantes se engajarem em sua graduação da mesma forma que os gamers em suas missões, o ensino só tem a ganhar.

E você? Já utilizou alguma dessas estratégias para conquistar seus alunos? Compartilhe conosco e, para ficar sempre a par das novidades que envolvem tecnologia e educação, assine nossa newsletter.

Como usar o Instagram em sala de aula

29/10/2014 -

Engajar alunos é um desafio diário para professores, sejam eles de instituições superiores tradicionais ou de ensino a distância. Em tempos de internet, prender a atenção do estudante se transformou em uma verdadeira batalha e, nessa luta, os gestores são importantes aliados. Por vezes, são eles que, com uma visão que vai para além do dia-a-dia, enxergam oportunidades onde muitos só vêem problemas. Assim acontece com o Instagram, a rede social de compartilhamento de fotos que muitos acreditam ser uma distração mas que pode, com alguns ajustes, se tornar uma excelente ferramenta educacional e ser utilizada por gestores, professores e, é claro, alunos.

Criado em 2010, um dos principais trunfos do Instagram é sua simplicidade: uma linha do tempo de fotos e, mais recentemente, vídeos de 15 segundos, que as pessoas curtem ou comentam. Se por um lado pode parecer limitadora, por outro, tal característica permite que se faça usos mais controlados da plataforma. O site Edudemic dá algumas dicas de como usar a rede social em sala de aula e também alerta para alguns ajustes importantes para que tenham um viés mais educacional.

instaInstagram pode ser ferramenta útil para conquistar alunos que são usuários da plataforma
FONTE: RenWeb

Antes de adaptar ideias, é bom pensar na conta de Instagram. Para que os experimentos não saiam do controle de professores e gestores, o ideal é criar uma conta para a turma. Para tanto, basta ter um endereço de e-mail e um smartphone. Por mais que os tempos sejam outros, a instituição não pode deixar de se preocupar com a privacidade e a segurança dos seus estudantes. Por isso, ao criar um perfil para uma determinada turma, a dica é fazer dela uma conta privada, que só quem tiver o acesso liberado poderá visualizar.

Ajustes feitos, é hora de começar a usar o Instagram:

1) Vitrine de trabalho dos alunos: além dar acesso aos alunos da turma, um perfil no Instagram poderá dar acesso também a outros estudantes da mesma instituição e funcionar de expositor para o que está sendo feito por lá. Um vídeo com a resposta a pergunta do conteúdo trabalhado, uma foto que funciona de referência para alguma matéria são exemplos de postagens que transformam a conta em vitrine para colegas.

2) Aluno da semana: uma forma interessante de engajar os alunos no uso da ferramenta é convidá-los para participar ativamente da sua atualização. Uma ideia é transformar os estudantes em embaixadores do Instagram. A cada semana, um deles será responsável por documentar o andamento das aulas.

3) Memórias da classe: outro bom uso do Instagram é fazer da conta um álbum de retratos. Documentar uma reunião em grupo, uma saída a campo, uma viagem em turma ou mesmo a apresentação de um trabalho é uma maneira de guardar lembranças desses momentos.

4) Figuras históricas: o Instagram também pode servir para ajudar a aflorar a imaginação dos alunos. Que tal convidá-los a recriar o Instagram de alguém muito famoso como, por exemplo, Albert Einstein, com fotos emblemáticas da sua história? Escolha uma personagem importante para a matéria e deixe os estudantes livres para se expressar.

5) Personagens literários: a ideia de criar perfis para figuras históricas pode ser levada a outro patamar, ao da imaginação pura e simples. Quem sabe pegar um personagem literário como Sherlock Homes ou do cinema como Don Corleone e deixar os estudantes responsáveis por criar uma versão verossímil do que seria o perfil no Instagram dessas personagens da ficção?

6) Recomendações literárias: o Instagram da turma pode também se transformar em uma ferramenta de troca de sugestões, no qual os alunos postam imagens de livros que estão lendo para determinada matéria e que podem ajudar os demais.

7) Passo-a-Passo: para trabalhos práticos, ou mesmo para a resolução de problemas do tipo matemático, por exemplo, o Instagram se mostra uma ferramenta ainda mais útil. Tem suporte melhor para fazer um passo-a-passo de algo do que imagens ou vídeos?

8) Caça-ao-tesouro: a conta da turma do Instagram também pode servir de ponto de encontro para experiências fora de aula, mas que, de alguma forma, se relacionam com o conteúdo. Basta que os professores desafiem seus alunos a encontrarem e fotografarem coisas específicas no mundo ao seu redor. A ideia é reunir em um só lugar diferentes pontos de vista sobre algo.

9) Ideias por escrito: inspire seus alunos com imagens que dariam um boa história. Uma postagem pode servir de tema para um trabalho a ser feito individualmente em casa ou mesmo para o surgimento de uma nova série de imagens feitas pelos estudantes.

10) Progresso do trabalho: o Instagram também é uma ferramenta interessante de documentação. Imagine chegar no final de um curso com várias imagens reunidas do período de ensino e aprendizado daquela turma?

insta2
Criar uma conta para a turma ou sugerir uma hashtag: veja o que melhor se aplica e comece
FONTE: The Week

Se criar uma conta para a sua turma não parece a melhor opção, uma alternativa é criar uma hashtag para esse projeto e sugerir tarefas para os estudantes. Se a matéria estudada é da área de matématica, por exemplo, o professor pode convidar os alunos a postarem em suas próprias contas exemplos de alguns conceitos como simetria e ângulos. Alguns dos usos exemplificados acima também podem ser adaptados para as hashtags. Por mais específica que possa ser uma matéria, elas sempre poderá ser representada por imagens, e o Instagram é uma ótima ferramenta para alunos compartilharem suas impressões sobre um conteúdo que estão estudando.

E você, já pensou em usar o Instagram em sala de aula? Já faz o uso de outras ferramentas como o Twitter, por exemplo? Compartilhe conosco sua experiência e nos ajude a encontrar novos usos para as plataformas existentes. Assine nossa newsletter para receber mais novidades.

Educação e curiosidade: quando uma desperta a outra

22/10/2014 -

Novas teorias surgem a todo o momento na área da educação, mas se tem algo que já foi consagrado pela experiência é que a curiosidade do aluno a respeito de um assunto ajuda, e muito, no seu aprendizado. Baseado nessa premissa, um novo estudo neurocientífico descobriu como o cérebro funciona quando a curiosidade é despertada para compreender de que forma ocorre o aprendizado nessas condições. Estudos como esse são sempre úteis para o educador entender melhor o comportamento do sistema de retenção de informação dos alunos e, a partir disso, poder criar aulas e montar currículos que despertem o interesse e permitam que o ensino aconteça de forma natural e contínua. E, nesse caso, com extrema curiosidade.

Dizem que a curiosidade matou o gato… só se foi de tanto aprender.  Fonte: Aquarian

Dizem que a curiosidade matou o gato… só se foi de tanto aprender.
Fonte: Aquarian

A pesquisa revelou que a melhora na compreensão do conteúdo devido à curiosidade pode ocorrer também com relação a temas que, originalmente, não despertavam interesse no estudante. Basta que cérebro do aluno esteja em “estado de curiosidade”, isso será suficiente para que o aprendizado ocorra mais facilmente. De acordo com um dos cientistas envolvidos no estudo, Dr. Mathias Gruber, da Universidade da Califórnia em Davis (EUA), esse estado permite que o cérebro entenda e retenha todo o tipo de informação, “como um vórtex que suga o que você está motivado a aprender e também tudo o que está ao redor”. Ou seja, se uma parte específica do conteúdo foi capaz de tornar o aluno curioso sobre o tema, isso é o suficiente para estender os benefícios cognitivos de sua disposição ao restante da matéria.

Para a realização do estudo, voluntários ranquearam seu interesse em aprender as respostas de uma série de perguntas em forma de trívia. Enquanto eles esperavam por 14 segundos para a revelação de cada resposta, lhes foi mostrada uma imagem de um rosto aleatório. Após, os participantes passaram por um teste para descobrir quais faces eles conseguiam lembrar. Os resultados mostraram que as pessoas tinham memórias mais sólidas a respeito dos rostos mostrados enquanto estavam esperando por respostas sobre as quais tinham curiosidade. E, mesmo quando testadas no dia seguinte, os resultados sobre a memória permaneceram os mesmos.

A curiosidade sobre o tema torna o aprendizado mais fácil e prazeroso.  Fonte: Backpack Tactics

A curiosidade sobre o tema torna o aprendizado mais fácil e prazeroso.
Fonte: Backpack Tactics

Coautor do estudo, o Dr. Charan Raganath explica que a curiosidade recruta o sistema de recompensa cerebral (que funciona a partir da liberação de dopamina) e são as interações entre esse sistema e o hipocampo (uma das áreas responsáveis por formar novas memórias) que parecem colocar o cérebro em um estado que permite maior retenção de informação, mesmo em relação a temáticas que não despertam, por si só, a curiosidade.  Esse estudo, além de provavelmente despertar a curiosidade de gestores e professores, parece dar pistas a respeito do sucesso de um tipo de ensino personalizado. Não é mais apenas sabedoria a partir da experiência ditando que a falta de interesse em determinados conteúdos dificulta a aprendizagem, é também a neurociência. E, em posse dessa e de outras informações, é possível criar um currículo voltado ao aluno, interessante e que permita realmente um maior aprendizado.

E você? Que experiências têm com o despertar da curiosidade durante o aprendizado? Compartilha conosco e não deixe de assinar nossa newsletter.

Conheça Watson, o aprendiz conselheiro de professores

20/10/2014 -

Do seu computador, em qualquer lugar do mundo, um estudante se conecta à internet para mais um encontro do curso que faz a distancia. Do outro lado, estão não apenas os colegas e o professor, mas também uma inteligência artificial. Durante a aula, algumas dúvidas surgem e, ao invés de anotar as questões em um caderno ou sair do ambiente educacional para buscar informações no Google, por exemplo, o aluno envia suas perguntas para o assistente do professor, Watson. Ao final do encontro, o educador recebe de seu ajudante virtual um relatório com as questões feitas, suas sugestões de respostas e, a partir daí, elucida os pontos da matéria que mais suscitaram dúvidas. Ficção científica? Utopia? Nada disso. O Watson do exemplo acima não só existe como é mais elementar do que aquele que acompanha Sherlock Holmes em suas investigações.

Criado pela IBM, o supercomputador que aprende e fala é o próximo passo no que diz respeito à análise de dados. E de dados, já sabemos, a Big Blue entende. O Watson é um conjunto de hardware e software em computação cognitiva que vem sendo desenvolvido pela IBM desde o início dos anos 2000 e que começa a ganhar asas. Durante alguns anos, sua capacidade de aprender e de gerar conhecimento esteve restrita a projetos do setor de saúde, além de experiências em gastronomia e de uma participação histórica no Jeopardy!, programa de auditório que testa os conhecimentos gerais do qual Watson saiu vencedor em 2011 contra dois ex-campeões. Agora, com a criação de uma unidade de negócios baseada no Watson, o Watson Group, a IBM que levar sua invenção para outras áreas, inclusive a educação.

ibm
Uma das muitas unidades do Watson espalhadas pelos escritórios da IBM
FONTE: IBM Watson by ClockreadyOwn work. Licensed under CC BY-SA 3.0 via Wikimedia Commons

Uma das iniciativas envolve a IBM e City University of New York (CUNY). Trata-se da Watson Case Competition, uma competição para alunos dessa instituição desenvolverem soluções baseadas no poder de cognição do Watson que melhorem o ensino superior ou os serviços públicos da Big Apple. O desafio terá duração de um semestre e premiará as três equipes com as melhores ideias com U$ 5 mil, US$ 3 mil e US$ 2 mil. Essa não é a primeira competição do tipo promovida pela IBM. Em 2013, 25 equipes de estudantes da Universidade do Sul da Califórnia ganharam 48 horas para desenvolver aplicações práticas baseadas no Watson. Além disso, a IBM deu a sete escolas técnicas norte-americanas a oportunidade de aprender computação cognitiva ao incorporar o Watson aos seus currículos.

Outro projeto ainda mais interessante, porém, está em curso no Roosevelt House do Hunter College, onde Watson foi transformado em um conselheiro de professores. Baseado na nuvem, o supercomputador se mostrou um mecanismo de busca muito mais interessante que os atuais, porque, a cada pergunta respondida, ele não apenas entrega uma resposta customizada ao professor, como também aprende com ela. Ainda que seja uma inteligência artificial, Watson é incapaz de fazer julgamentos ou de entender emoções, o que o distancia de um professor de verdade, mas está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana e pela internet. E, com a sua alta capacidade de processamento, ele pode acelerar o processo de pesquisa dos professores, informar os erros dos alunos e, ainda, oferecer sugestões de estratégias de ensino. Watson, ao contrário dos professores, que são especialistas, é um generalista, mas um generalista muito poderoso.

ibm2
Watson é um computador que aprende e fala a linguagem natural dos homens
FONTE: Hello Giggles

É claro que a chegada do Watson levanta dúvidas. O blog Ed In The Apple faz alguns questionamentos interessantes sobre esse viés conselheiro do supercomputador. A interação dos professores com o sistema será avaliada? Ou seja, o professor poderá ser avaliado segundo as perguntas que faz? Como fica a questão da privacidade dos professores? E, além disso, qual o interesse da IBM nesse tipo de uso do Watson? Como sempre, a chegada de novas tecnologias causa certo medo, mas a verdade é que todos sabemos que a tecnologia torna professores e alunos mais eficazes tanto na tarefa de ensinar quanto de aprender. Está aí a EAD para comprovar. E, por mais distante que essa realidade pareça, é bom estarmos antenados. O Watson já está aprendendo português.

O que você acha do uso de uma inteligência artificial em sala de aula? Teme ou é um entusiasta? Compartilhe conosco sua opinião e assine nossa newsletter para ficar a par das últimas novidades.

Entenda a dislexia e aprenda a lidar com ela nas atividades de ensino

17/10/2014 -

Antes de inventar a lâmpada, o fonógrafo, o gramofone e aprimorar o telefone, Thomas Edison, como a maioria de nós, frequentou a escola. E, quando tinha apenas seis anos de idade, ele saiu da aula e voltou para casa com um bilhete escrito pelo professor, direcionado a seus pais, que dizia “seu filho é estúpido demais para aprender”. O que esse profissional de atitude mais que questionável não sabia é que Edison não era nada burro, apenas disléxico.

dislexia-crianca
Muita gente enxerga o erro de cara; muita gente não.
[FONTE: Fonoaudiologia]

A dislexia é causada por uma formação diferenciada do encéfalo, que gera dificuldades de aprendizagem, geralmente no campo da linguagem, mas que também podem abarcar a matemática e a orientação espacial. Embora não haja consenso quanto às estatísticas, estima-se que de 10 a 20% da população mundial tenha algum grau de dislexia, entre o leve e o severo. Apenas este dado já deveria bastar para que professores e gestores estejam atentos aos sinais de dislexia e, sobretudo, para que aprendam a lidar com essa dificuldade para não deixar um próximo Thomas Edison para trás. Por isso, hoje apresentamos dez recursos preciosos que nos ajudam a entender melhor a dislexia.

#1 Neste artigo, o professor doutor Sally E. Shaywitz, da Universidade de Yale, remonta as origens dos estudos da dislexia e tenta responder à pergunta que pasma professores: como pode acontecer de alunos verdadeiramente brilhantes terem dificuldades em tarefas básicas como soletrar palavras? É uma excelente introdução ao assunto e um bom começo para apreender a desassociar inteligência de habilidade linguística.

#2 O pesquisador Kelli Sandman-Hurley idealizou este breve vídeo para defender a neurodiversidade. Quem pode dizer o que é um cérebro normal e classificar todos os outros de anormais? Hurley apresenta fatos sobre dislexia e, mais do que isso, nos surpreende com a imensa gama de conexões possíveis no cérebro humano, além de colocar o espectador “normal” diante de simulações de dislexia.

#3 O documentário “Embracing Dyslexia”, dirigido e produzido por Luis Macias, traz comentários de pesquisadores, professores e pais de alunos disléxicos, além de depoimentos pessoais de portadores de dislexia. Em menos de uma hora, o vídeo mostra como educadores podem ajudar os estudantes e como o sistema escolar pode se adaptar para integrar os disléxicos na sala de aula.

dislexia-sopinha
Um texto comum pode parecer uma sopa de letrinhas para quem tem dislexia
[FONTE: Leo Magan]

#4 Este artigo elaborado coletivamente pelos membros do National Center for Learning Disabilities lista um leque de sinais e sintomas da dislexia que pode ajudar a identificar portadores de diferentes idades. O artigo também traz dicas de como contribuir com a autoestima dos disléxicos, lembrando-os de que dificuldades com linguagem não significam déficit de inteligência nem incapacidade cognitiva.

#5 Nenhum caso de dislexia é igual a outro. O site Dyslexia Reading Well reúne métodos diferentes para trabalhar com pessoas diferentes. Com estímulos variados, é possível lidar com as diversas subcategorias de dislexia. Depois de entender as bases do transtorno, aprender a diferenciar a disgrafia, a discalculia e a dispraxia, o interessado poderá investigar os recursos disponíveis para cada tipo de dificuldade.

#6 Este artigo de Patrick Wilson se aprofunda em quatro pontos que todos os educadores devem entender sobre o cérebro disléxico. Desde a desconstrução da escrita, até problemas de memória, Wilson explana as várias faces da dislexia. Bem equilibrado, seu texto esclarece sintomas e causas, além de exemplificar a força criativa que, com frequência, se esconde atrás da mente disléxica.

#7 Também na defesa da diversificação de estímulos, a International Dyslexia Association publicou um artigo no qual enfatiza as vantagens de uma abordagem multissensorial na educação de alunos com dislexia. Mesclando estímulos visuais, auditivos e, até mesmo, táteis será mais fácil encontrar as melhores técnicas para fazer cada aluno se sentir empoderado em sua própria aprendizagem.

dislexia-pintura
O cérebro disléxico é diferente da maioria, e isso afeta sua visão de elementos da matemática
[FONTE: fine art america]

#8 Em formato de guia, este artigo descreve métodos simples, mas eficazes, para se comunicar com alunos disléxicos. Algumas práticas dependem apenas da iniciativa do educador, como usar várias cores para escrever no quadro, esclarecer as regras de ortografia e criar avaliações que levem em consideração a criatividade do estudante tanto quanto os acertos formais. A tecnologia também traz soluções simples, como a fonte OpenDyslexic, uma tipografia criada especialmente para o cérebro disléxico, facilitando a leitura de textos na tela.

#9 Um relato pessoal às vezes é a melhor maneira de ter uma verdadeira noção do que significa ser portador de um transtorno. Neste depoimento, o professor Neil Cottrell conta como ele venceu as dificuldades que encontrou ao longo da vida acadêmica por ser disléxico. Em alguns momentos, bastou a boa vontade de um professor que lesse os textos em voz alta; em outras situações, ele contou com a ajuda do celular para organizar suas tarefas. Apesar dos obstáculos, Cottrell provou ter tanta capacidade quanto qualquer um de seus colegas.

#10 Para mostrar que os disléxicos estão em excelente companhia, a professora Lori Bourge escreveu este artigo celebrando a vida de gênios que viveram e criaram mesmo sendo portadores de dislexia. Entre eles, estão Albert Einstein e Pablo Picasso, e isso já deveria ser o bastante para acabar com o estigma de que disléxicos são menos hábeis, não é mesmo?

E você? Já teve alunos disléxicos em sua instituição? Como você trabalha a integração e a neurodiversidade em sala de aula? No Brasil, os educadores também podem contar com um rico recurso em português: o site da Associação Brasileira de Dislexia traz dados, notícias e conecta pacientes e profissionais da saúde.

Para receber mais notícias da área da educação, assine nossa newsletter.

O Desafios da Educação é uma iniciativa voltada a líderes e gestores de Instituições de Ensino, que tem como objetivo compartilhar experiências e discutir as melhores práticas em Educação.

Newsletter

Cadastre-se para receber informações sobre nossos eventos e notícias sobre educação.

Quero assinar

Realização:

Creative Commons License

Siga a Blackboard: