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A revolução dos MOOCs pode estar apenas começando

17/04/2015 -

Muito já falamos aqui sobre os MOOCs (massive online open courses, ou cursos massivos e abertos online, em português), desde o que eles ensinaram aos gestores em termos de inovação, passando pelos novos interesses que despertaram, até o desafio que enfrentam, de manterem-se gratuitos no futuro. O surgimento desses cursos foi uma verdadeira revolução na área da educação, mas será sua derrocada? Julia Stiglitz, diretora do Coursera plataforma que oferece cursos online gratuitamente, afirmou, em entrevista ao Education Dive que, na realidade, essa revolução está só começando. O momento é certo, portanto, para que gestores sigam acompanhando esses cursos, a fim de tirar proveito de boas lições aplicáveis a suas instituições.

Os MOOCs são uma das muitas formas de aprender online.  Fonte: Human Capitalist

Os MOOCs são uma das muitas formas de aprender online.
Fonte: Human Capitalist

O sucesso do surgimento dos cursos abertos online trouxe para a área da educação uma nova luz a respeito da educação a distância em si, tais como informações sobre quanto de tempo alunos estão dispostos a dedicar à sua educação online, a estrutura específica de um curso em modelo digital e a diversidade presente nas turmas. Para Julia Stiglitz, apesar de, no começo, os MOOCs atingirem os mais diversos tipos de alunos, se destaca a presença dos life learners entre os que procuram esses cursos, inclusive formando uma categoria específica de estudantes. O life learner (aprendiz para a vida, em uma tradução livre) são pessoas que seguem estudando, mesmo sem a necessidade ou já possuindo graduação e carreira. Muitas vezes, o fazem apenas pelo prazer de aprender, sem o foco em um assunto específico. Os life learners, portanto, não são atingidos por uma das maiores reclamações com relação à estrutura dos MOOCs, que é a dificuldade de completar uma formação por meio desse formato. Julia acredita, no entanto, que o desafio e a flexibilidade são as principais características dos MOOCs e que elas devem ser mantidas a fim de ter um alcance a um público com diferentes intenções.

Além dos life learners, outro grupo de estudantes também se destaca na procura pelos MOOCs: aqueles que precisam de credenciais para melhorar seus currículos e poder se candidatar para certos empregos. Essas pessoas estão dispostas a pagar por seus certificados, que nem sempre são gratuitos como é o conteúdo do curso. Sobre isso, é interessante notar que essa é uma demanda também do perfil do aluno dos cursos superiores em EAD: a formação continuada e a constante renovação na carreira. Dessa forma, é importante que os gestores das instituições de ensino estejam sempre cientes das constantes transformações do meio empresarial, a fim de fornecer a seus alunos uma atualização certeira e que faça a diferença na sua vida profissional.

Um assunto abordado na entrevista e que serve como uma interessante inspiração para todo gestor é a parceria firmada entre a Coursera e a empresa aérea Jet Blue. A proposta é que, em vez de assistirem a filmes durante o vôo, os passageiros tenham a oportunidade de assistir a uma aula. Essa é uma forma para que pessoas possam aproveitar todo o tempo que passam dentro de aviões para estudar e adquirir conhecimento. Muitas pessoas já fazem isso com seus tablets ou notebooks e conteúdos offline. Outra possibilidade citada por Julia é o uso do material de seus cursos para treinamento dentro de empresas. Essas são maneiras de continuar o processo iniciado com o surgimento dos MOOCs, criando novas iniciativas e possibilidades.

As longas viagens de avião podem se transformar em horas-aula. Fonte: El Hombre

As longas viagens de avião podem se transformar em horas-aula.
Fonte: El Hombre

Os MOOCs, portanto, não são exatamente uma ameaça para o ensino superior. Antes, eles são capazes de fornecer conhecimento contínuo aos life learners e credenciais para os profissionais, dentre outros interesses que quem procura esses cursos podem ter. No entanto, como afirma Julia Stiglitz, essa não é uma revolução em sua fase final, pois o mundo da educação online está constantemente se renovando e, enquanto a sua instituição puder acompanhar essas mudanças, permanecerá. Porém, ela afirma que a Coursera deve trabalhar em conjunto com as instituições de ensino superior, prestando suporte para pensar como qualificar o ensino, especialmente com relação a mercados emergentes. A produtora de conteúdo para ensino superior SAGAH – Soluções Educacionais Integradas é um exemplo de empresa que já oferece o serviço de personalização do conteúdo que fornece, no qual o corpo docente da instituição de ensino em questão pode, inclusive, participar das videoaulas dos cursos por ela oferecidos. A partir da postura da Coursera com relação às IES e ao surgimento de serviços como os prestados pela SAGAH, podemos refletir: de que forma o ensino superior e digital pode cumprir o papel proposto pelos MOOCs dentro da própria universidade? Talvez essa qualificação fornecida por empresas especializadas em prestar suporte educacional seja o próximo desafio da instituição de ensino com relação à revolução iniciada e perpetuada por esses cursos.

E a sua instituição? O que aprendeu a partir do surgimento dos cursos abertos e massivos online? Houve mudanças em sua estrutura? Compartilhe conosco sua experiência e dê continuidade ao debate.

 

 

O exemplo da Khan Academy e o uso de plataformas não convencionais

15/04/2015 -

Por si só, a história do nascimento da Khan Academy é um exemplo e tanto para entusiastas do ensino a distância, especialmente do conceito de sala de aula invertida. Pensar que tudo começou com Salman Khan ensinando matemática para a sua prima, em 2004, com vídeos hospedados no Yahoo, e, depois, expandindo o alcance desse material para outros parentes e amigos pelo YouTube, é realmente inspirador. Formado não só em matemática, mas também em ciências da computação e engenharia elétrica pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), Khan deixou o trabalho no mercado financeiro em 2009 para se dedicar integralmente à plataforma que criou. Mais de cinco anos depois, ele enfrenta o desafio de mostrar para o mundo que a Khan Academy se tornou muito mais do que ele próprio falando em seus vídeos.

Em uma recente conversa com o site Education Dive, Khan falou da importância dos dispositivos móveis e de aplicativos que sejam próprios para as plataformas mais populares como iOS, da Apple, e Android, e também da importância de refletir sobre as formas de avaliação dos alunos. A tecnologia deve permear o aprendizado e o ensino, ser mais do que uma ferramenta e deve fazer parte da sala de aula, seja ela virtual ou não. Por esse motivo, Khan destaca a necessidades de ir além do vídeo.

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Salman Khan, fundador da Khan Academy
FONTE: Education Dive

Tomando como exemplo o aplicativo da instituição que leva seu nome, Khan sublinhou a diferença que aprender em um tablet pode fazer para estudantes, especialmente aqueles mais acostumados a ter um smartphone ou mesmo um tablet nas mãos. Ao contrário dos vídeos, o desenvolvimento de um aplicativo permite que as entidades criem algo interativo, adaptativo, verdadeiramente personalizável e no qual o aluno pode, de fato, praticar.

“No passado, fazíamos tudo pela web. Isso é ótimo, mas você tem que separar um papel de rascunho para fazer anotações e digitar suas respostas. Em um tablet, e isso é óbvio, é possível construir uma interface que permita que todo o trabalho seja efetivamente feito no tablet”, explica. Segundo Khan, um aplicativo desenvolvido para aproveitar todas as possibilidades que nascem de uma tela sensível ao toque, como o da Khan Academy para iOS, dá ao aluno a possibilidade de escrever com o dedo a raiz quadrada do coseno de x e deixar que o software reconheça esse conteúdo, por exemplo. “É o que nós sempre imaginamos que o futuro da educação seria”, afirma o CEO.

Ainda falando sobre mobilidade, Khan sublinhou a necessidade das instituições de ensino, inclusive da Khan Academy, de desenvolver também aplicativos para Android, o sistema operacional móvel com mais usuários no mundo, especialmente em países emergentes como o Brasil, aonde a educação a distância vem crescendo e se tornando protagonista. Ainda que o iPad seja um dos tablets mais vendidos no mundo, vale lembrar que é o Android a plataforma que roda na maioria dos dispositivos considerados de entrada ou intermediários.

Diferente da Blackboard, que possui produtos responsivos, isto é, que se adaptam a qualquer equipamento, algumas iniciativas precisam reconstruir suas plataformas quando migram da versão web para os dispositivos móveis. Não só por questões técnicas, mas para aproveitarem melhor as potencialidades desses aparelhos com tela sensível ao toque. É o caso da Khan Academy, que ficou conhecida pelos vídeos que não permitem interatividade. A solução Blackboard Mobile, por exemplo, oferece a toda sua comunidade, aos professores e aos alunos o acesso a uma completa experiência educacional de forma intuitiva e por meio de diversos dispositivos móveis.

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Khan Academy já possui um aplicativo para iOS, sistema que roda no iPad

Por fim, Khan também chama atenção para as portas que se abrem com a tecnologia quando o assunto é a avaliação dos alunos. Com a tecnologia em mãos, não tem mais por que, na opinião dele, limitar-se aos métodos antigos, como provas. “Os testes tradicionais medem uma dimensão do aluno. Eles são uma espécie de imagem instantânea do conhecimento atual, por isso são imperfeitas. Para se ter uma ideia do que alguém realmente é, o melhor é conhecer o que essa pessoa criou, seu portfólio. Podem ser coisas que esse alguém escreveu, é claro, mas pode ser algo que ele programou, construiu ou pintou. Isso é muito mais poderoso. Em seguida, e em cima desse portfólio, seria importante fazer uma avaliação por pares: quanto um aluno ajudou seus colegas, sua capacidade de trabalhar em grupo, coisas desse tipo”, disse o executivo.

Mesmo na Khan Academy esse tipo de análise ainda está incipiente, mas Salman Khan acredita que, no futuro, os alunos possam ser avaliados até por uma música que compuseram. “Nosso foco não está na avaliação, mas na aprendizagem e na criação, que são temas caros ao nosso coração”.

Como a sua instituição encara o crescimento dos dispositivos móveis e a necessidade de adaptar alguns conteúdos no formato de aplicativo? E a avaliação, é uma tema recorrente? Compartilhe conosco sua percepção sobre as opiniões de Salman Khan.

Cinco dicas para abraçar o conceito de ensino híbrido na sala de aula

13/04/2015 -

A tecnologia trouxe para a sala de aula comum uma série de possibilidades que, por sua vez, abriram as portas para novos conceitos. O blended learning, ou ensino híbrido na tradução para o português, é um deles. A ideia por trás do termo é combinar o aprendizado online com o offline, criando modelos que mesclem momentos em que o aluno estuda sozinho, em um ambiente virtual, com outros em que a aprendizagem é presencial, na qual há interação entre pares e entre estudante e professor. Existem diversas técnicas para aplicar esse conceito, por isso a Blackboard convidou Paula Barr, uma professora da escola pública Lawrence, na cidade de mesmo nome, no Kansas, para dar dicas de como colocar a ideia em prática. A experiência de Paula é com alunos juvenis, mas servem de inspiração para qualquer professor ou gestor.

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O estudante precisa se sentir livre para escolher como deseja aprender
FONTE: Catraca Livre

Configuração da sala colaborativa
Paula conta que mudou o ambiente de aprendizado de seus alunos. Hoje, o espaço possui seis mesas redondas e outras duas maiores onde ficam os computadores de mesa com telas de 31 polegadas, rodeados de quadros brancos. Além disso, a sala tem cinco notebooks e cinco tablets, para facilitar na mobilidade dos alunos. São eles que escolhem onde querem sentar e como vão se movimentar ao longo do dia de acordo com suas necessidades de aprendizagem. O ambiente foi redesenhando como espaço dos alunos, e não dos professores. Por isso, Paula tirou da sala mobiliário extra e itens de decoração pessoal, além de armários de arquivo com gavetas para voltar a sala de aula totalmente para seus trabalhadores, no caso, os estudantes.

Paula Barr conta que comprou quadros brancos com a metade do tamanho porque eles eram mais fáceis de pendurar e porque eles ficavam em uma altura em que seus alunos poderiam facilmente utilizar, mesmo os mais baixos. É preciso pensar nisso também.

Engajamento
Para a professora, o engajamento vem desde conceber o melhor ambiente de aprendizagem para seus alunos até estar na sala de aula disponível para que eles a consultem enquanto estão fazendo seus trabalhos em seus próprios ritmos e níveis. “Ao invés de ficar de pé na frente da sala dando informação, agora eu uso um programa da Blackboard para abrigar a informação que eu quero que eles aprendam e trabalho em conjunto com os alunos para que eles adquiram e apliquem esse conhecimento. Eles também trabalham juntos e usam o programa para demonstrar o que estão aprendendo. O engajamento ocorre naturalmente, porque os alunos passam o dia no comando da sua própria educação, aprendendo no seu próprio ritmo e nível”, afirma a professora.

Envolver e educar os pais
Antes do primeiro dia de aula, Paula conta que mandou um e-mail de boas-vindas aos pais e aos alunos. Nesse e-mail, incluiu links para vídeos e informações sobre ensino híbrido. Em seguida, na segunda semana de escola, quando os pais vieram a uma reunião, ela usou fotos e videoclipes de anos anteriores para mostrar o que era um ambiente de aprendizagem mista, como aquele nos quais seus filhos estavam incluídos.

Paula também abriu sua sala de aula, um dia por semana, para os pais. Eles podem chegar a qualquer hora durante o dia, sem hora marcada. A maioria dos pais chega e puxa uma cadeira para se sentar com os seus filhos, ajudando o grupo com o qual estão trabalhando. Essa tem sido uma poderosa maneira de ajudar os pais a compreender o conceito de blended learning.

Mudança de paradigma

“Quando perguntado sobre como o meu pensamento mudou quando eu me tornei um professor de blended learning, eu faço a mesma analogia: como uma professora tradicional, eu estava na frente da sala de aula, tocando o navio do conhecimento, até que eu compartilhei esse conhecimento com meus aprendizes no nível e no ritmo em que eu decidi. Como professor de blended learning, eu explico o nosso objetivo comum e jogo eles na piscina. Alguns ficam felizes de nadar de forma independente para o outro lado, alguns precisam nadar mais e do meu apoio para chegar lá. Alguns alunos trabalham em conjunto para construir uma jangada para chegar ao outro lado e tem aqueles que ficam de fora da piscina e seguem seu próprio caminho”, conta a professora.

De acordo com ela, o trabalho do professor de ensino híbrido é ajudar os alunos a adquirir e aplicar seu próprio conhecimento, dando-lhes recursos online e na forma de papel para que eles trabalhem de forma independente ou em colaboração. Em outras palavras, os alunos fazem o trabalho.

Tecnologia
O uso autêntico da tecnologia é uma parte importante de uma sala de aula de ensino híbrido. Na sala de aula da Paula é o programa da Blackboard que abriga as informações, vídeos e links. Por meio dessa plataforma, os estudantes podem subir fotos e escrever conceitos que aprenderam na forma de verbetes. Também pode usar os fóruns de discussão para tirar dúvidas e fazer testes. “Usamos a tecnologia como uma ferramenta para que os alunos demonstrem seu aprendizado. A tecnologia também permite que eu forneça os meios pelos quais os alunos podem progredir em seus próprios níveis e ritmos. Ele me permite dar aos estudantes escolhas para que eles possam desenhar o seu próprio caminho”, explica a educadora.

E você? Tem dicas e estratégias para compartilhar sobre o ensino híbrido? Comente conosco!

Quatro desafios para os administradores de cursos superiores online

10/04/2015 -

Um das grandes diferenças da educação a distância para a tradicional é que a primeira pega emprestado do meio em que se propaga, a web, sua agilidade. Estar em constante transformação é uma característica da internet que também está no DNA do ensino online. Por este motivo, gestores e professores precisam estar sempre atentos às demandas dos alunos, levando a sério o retorno que eles dão a respeito das iniciativas online das quais participam.

É também diante da necessidade de atualização dos gestores das Instituições de Ensino Superior e de seus professores que estudos feitos com alunos de EaD são tão importantes. Por aqui, já apresentamos algumas pesquisas que ajudam os profissionais da área a melhor compreender seu público. Entender o que querem os estudantes não é uma questão apenas de conhecimento, mas de gestão, gestão de um negócio que não é simplesmente um produto ou um serviço, mas algo que efetivamente muda a vida das pessoas: a educação.

O estudo sobre o qual vamos falar hoje se chama, na tradução livre, “Estudantes de Escolas Online 2014: compreendendo dados sobre demandas e preferências” e foi realizado pela The Learning House e pela Aslanian Market Research. Um de seus trunfos é ter entrevistado 1.500 alunos, com no mínimo 18 anos, e com algum grau de envolvimento com uma iniciativa online: recém-inscritos, já matriculados e com um curso em andamento, ou planejando fazer uma especialização, uma graduação ou uma pós-graduação online. A margem de erro desse estudo é de 3% para cima ou para baixo, enquanto o nível de confiança é 95%. Logo, suas conclusões devem ajudar administradores não só na árdua tarefa de atrair mais alunos, mas também de reter aqueles que já fazem parte da instituição. Afinal, com tantas escolas oferecendo programas online, os estudantes podem se dar ao luxo de ser exigentes sobre onde e o que eles estudam. A proximidade da escola não é mais seu maior atrativo, definitivamente.

Confira abaixo quatro tópicos que os gestores precisam ficar de olho:

looklingEncontrar um trabalho ou crescer no próprio emprego é dos objetivos dos alunos de EaD
FONTE: Avante Brasil

Emprego

Muitas das iniciativas online são voltadas aos profissionais que estão se especializando enquanto trabalham, mas a verdade é que esse não é o único público que merece atenção dos gestores. Segundo a pesquisa, feita no âmbito dos Estados Unidos, vale dizer, o número de alunos de EaD trabalhando em tempo integral diminuiu de 60% em 2012 para 46% em 2014, enquanto o número de estudantes desempregados passou de 16% em 2012 para 30% em 2014. Ou seja, estar trabalhando não é mais uma premissa do estudante online, pelo contrário.

O motivo para buscar um curso online pode ser uma nova área de atuação, uma empurrão na carreira ou simplesmente uma forma de se tornar mais atraente para o mercado de trabalho. Não importa, a questão para os gestores aqui é que, com tantos alunos desempregados, a duração do programa pode ser um problema. Ao contrário dos estudantes que trabalham, e que precisam se dedicar em tempo parcial aos cursos, aqueles que estão desempregados não só possuem mais tempo livre como têm fome de conhecimento. Logo, os administradores precisam criar formas de atender também a esse público, de acelerar seus programas. Ao ganhar um diploma em um ano ou dois, esses alunos serão capazes de conseguir um emprego mais rapidamente com seu novo conjunto de habilidades.

Assistência financeira

Especialmente nos Estados Unidos, onde o desemprego se tornou uma questão importante, a assistência financeira ganhou os holofotes. De acordo com o relatório, 40% dos estudantes são totalmente dependentes dessas fontes de financiamento. Aproximadamente 20% dos estudantes universitários de cursos online pagam pelos estudos do seu próprio bolso, com o restante contando com um verdadeiro mix: empréstimos, poupanças, assistência do empregador, e outras fontes de dinheiro.

Embora o desemprego não seja tanto um problema no Brasil quanto é nos Estados Unidos nos dias atuais, esse é um assunto para o gestor fica atento. A ajuda financeira não pode ser o único atrativo da sua instituição. É preciso refletir sobre o valor das taxas de matrícula, por exemplo, mas também na transferência de créditos e principalmente na reputação da sua IES. A fama da escola ainda é um fator de decisão para os estudantes.

Transferência de crédito

Segundo o relatório, os alunos de cursos online se preocupam profundamente sobre transferência de créditos. Isso faz sentido, já que quase 80% dos entrevistados tinham créditos para transferir, com 39% dos estudantes com mais de 31 horas de crédito em seus currículos, alguns com mais de 90. Especialmente para aqueles que estão em cursos de graduação e pós-graduação online esse é um tema importante. Qualquer atividade que possa complementar seus estudos tem valor. E, muito embora não exista uma consonância nas políticas sobre créditos obtidos anteriormente ao curso ou fora do programa, uma política generosa certamente irá atrair alunos. Entre os entrevistados, somente 52% foram capazes de transferir parcialmente seus créditos. Tamanha dificuldade acaba frustrando e, por vezes, afastando os estudantes.

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O momento da inscrição está cada vez mais curto: Sua IES pode ter apenas uma chance
FONTE: PCWorld

A hora da inscrição

Ao contrário de muitos estudantes do ensino médio que passam meses pesquisando faculdades, os alunos online são rápidos para se inscrever.Segundo a pesquisa, 42% dos entrevistados gastaram menos de quatro semanas para encontrar uma instituição e se matricular, enquanto 65% levou menos de oito semanas. Além disso, os pesquisadores observaram que, no ano passado, 51% dos estudantes online matriculados o fizeram nos três meses iniciais de sua pesquisa, mas em 2014, 77% tinha tomado a decisão no mesmo período de tempo.

Ou seja, o período de tempo que os alunos passam procurando uma IES parece estar caindo. Logo, os administradores devem estar atentos ao seu público, pois eles podem ter apenas uma chance de conquistar aquele aluno. Com isso, ter uma campanha forte de marketing, uma equipe experiente e um acompanhamento detalhado do processo de matrícula são essenciais para manter sua instituição relevante e atraente.

Por fim, o estudo também observou que preço e reputação ainda são muito importantes para os estudantes. Acreditação, reconhecimento, rankings e recomendações são levados em conta pelos alunos na hora da decisão. Outros fatores, como aulas assíncronas (que não acontecem ao mesmo tempo para todos os alunos), e um processo de admissão simples também desempenham um papel importante. Conforme Rachel E. Wang, autora do texto sobre o estudo, ressalta, tal pesquisa serve de lembrete para os administradores de que a aprendizagem online é um campo em constante mudança, no qual as necessidades dos alunos continuam a evoluir. E aqueles que desejarem ter uma forte presença na educação a distância enquanto gestores terão de avançar com eles. É o seu caso, certo?

A importância de dar voz aos estudantes

06/04/2015 -

Embora o centro da educação seja a formação do aluno, nem sempre sua voz é a primeira a ser ouvida quando falamos em implementar mudanças. No entanto, seguindo a tendência que vem sendo antecipada pelo ensino a distância, de uma educação mais centrada no aluno, o SXSWedu (do qual já falamos aqui) inovou ao trazer painéis compostos por estudantes dos mais diversos níveis acadêmicos, com o intuito de escutar o que os alunos têm a dizer. A estudante e cofundadora da organização voltada para o empoderamento do estudante Student Voice Tara Subramaniam escreveu um artigo para o site Edsurge para falar um pouco sobre o tema.

Os alunos têm muito a dizer sobre seus direitos como estudantes, e as instituições devem escutar. Fonte: Be purposeful

Os alunos têm muito a dizer sobre seus direitos como estudantes, e as instituições devem escutar.
Fonte: Be purposeful

No SXSWEdu, o painel chamado The Right to be Heard (o direito de ser ouvido, em tradução livre) reuniu estudantes de diferentes backgrounds, de origens socioeconômicas distintas e alunos desde a escola básica até o ensino superior. O objetivo era discutir os direitos de todos os estudantes, de acordo com o que acreditam esses jovens, bem como problematizar de que forma as instituições de ensino poderiam materializar essas demandas, criando novos canais de comunicação com os estudantes, a fim de implementar as melhorias propostas por eles. Um dos tópicos discutidos foi a questão dos estudantes que têm mais dificuldade em alcançar as metas propostas para o ano letivo e cujas vozes são mais frequentemente abafadas em decorrência de sua inadequação. A respeito dessa temática, já falamos aqui no Desafios da Educação sobre como a tecnologia e, principalmente, a educação híbrida, é capaz de resgatar estudantes de risco, aqueles que têm uma maior propensão a abandonar a escola e não cursar o ensino superior. Diante disso, podemos inferir que um ensino personalizado e uma preocupação em obter um bom feedback por parte dos estudantes possam ser caminhos interessantes para que as instituições de ensino e os gestores fiquem mais sintonizados com as demandas dos alunos.

De acordo com o artigo de Tara, após os encontros promovidos com estudantes no SXSWEdu, foi redigida a Student Bill of Rights (algo como a declaração de direitos dos estudantes), que contém, atualmente, onze itens:

- Liberdade de expressão;
- Segurança e bem estar;
- Direito a um processo justo;
- Aprendizado personalizado;
- Organização institucionalizada;
- Informação e privacidade;
- Inserção profissional;
- Participação cívica;
- Avaliação justa;
- Tecnologia;
- Diversidade e inclusão.

É curioso perceber que muitas das diligências dos estudantes estão alinhadas com os pressupostos da EAD, especialmente no que tange ao ensino personalizado, à inclusão, à informação, à privacidade e, principalmente, ao acesso à tecnologia, base do ensino online. No entanto, a lista proposta pelos estudantes traz outras questões um pouco mais abstratas e mais difíceis de serem aplicadas no dia a dia, mas que são uma fonte de reflexão para todo gestor: como garantir o bem estar e a segurança dos estudantes, especialmente aqueles que não frequentam a sala de aula física? Como se certificar que sua liberdade de expressão está sendo preservada?

As instituições de ensino a distância, com o auxílio da tecnologia, podem criar canais para ouvir as demandas dos estudantes. Fonte: Adobe

As instituições de ensino a distância, com o auxílio da tecnologia, podem criar canais para ouvir as demandas dos estudantes.
Fonte: Adobe

Ou seja, os estudantes querem, sim, um ensino moldado para suas necessidades e que os insira no mercado de trabalho. Porém, também querem a garantia de seus direitos básicos como cidadãos, o que jamais deve ser negligenciado pela instituição de ensino. Painéis como o que ocorreram no SXSWEdu e a redação da declaração de direitos são guias para que as IES voltadas para o futuro da educação mantenham o foco no personagem principal da história: o aluno. Para Tara Subramaniam, a declaração dos direitos dos estudantes é muito importante, especialmente no atual cenário do ensino tradicional, em que medidas disciplinadoras podem acabar ofuscando as garantias dos estudantes.

Por fim, iniciativas como essa, bem como a proliferação de instituições centradas no aluno, são incentivos para que o estudante passe a ter mais voz e se aproprie cada vez mais de seu aprendizado. Afinal, empoderar o aluno não é apenas o mote da educação baseada na tecnologia, mas também do futuro do ensino superior.

E a sua instituição de ensino? Que ferramentas usa para acompanhar as demandas dos estudantes? Não deixe de dividir conosco sua experiência.

 

O Desafios da Educação é uma iniciativa voltada a líderes e gestores de Instituições de Ensino, que tem como objetivo compartilhar experiências e discutir as melhores práticas em Educação.

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