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A equidade digital como base para a igualdade social

21/11/2014 -

Seria redundante dizer o quanto o acesso à tecnologia é essencial na educação a distância: sem computadores, boa conexão com a internet e alguns acessórios básicos, seria impossível acompanhar uma simples videoaula. Mas, mesmo na sala de aula comum, a tecnologia se faz cada vez mais presente, e é por isso que muita gente já começa a dizer que a equidade digital não é só questão de dar oportunidades iguais, mas de justiça social.

Garantir a inclusão e a integração dos alunos é uma preocupação antiga dos educadores. Nesse cenário, o acesso a dispositivos digitais tem que estar na base das providências. Para Marie Bjerede, diretora da iniciativa pelo aprendizado móvel nos Estados Unidos, é hora de ampliar o debate e passar a ver o acesso à tecnologia como peça fundamental da igualdade social. Em um seminário online, ela desenvolveu seis tópicos relacionados ao assunto.

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Os dispositivos móveis permitem ter acesso a conteúdo em qualquer lugar
[FONTE: Napier Academy]

1) As diferenças de acesso à tecnologia costumam ser marcadas por diferenças econômicas. Entre os alunos que têm computadores à disposição na faculdade e aqueles que os têm também em casa, tende a haver diferentes níveis de proficiência tecnológica e de conforto com os dispositivos. Por isso, é importante manter o acesso livre às salas de informática e disponibilizar também tablets e wi-fi para que os alunos de menor renda se sintam à vontade para aprender a utilizar as tecnologias. Só assim, eles conseguirão transformar o acesso digital em acesso a informações relevantes e em construção do conhecimento.

2) Via de regra, estudantes que têm conexão com a internet em casa apresentam melhores notas, mesmo quando são de baixa renda ou integrantes de famílias desestruturadas. Uma das soluções adotadas por diversas instituições americanas é distribuir tablets entre os alunos. Claro que essa é uma abordagem custosa e pode ser inviável para muitas universidades. Mas garantir um bom sinal wireless em todo o campus já beneficiaria os estudantes, considerando-se a quase onipresença dos smartphones, que podem vir a substituir os tablets em alguns casos.

3) Outro ponto positivo em facilitar o acesso à tecnologia e, sobretudo, em garantir que os alunos tenham seus próprios dispositivos é a possibilidade de envolver a família no aprendizado. Quando o estudante leva as aulas online para dentro de casa, pode convidar as pessoas que moram com ele a assistirem junto ou participarem das atividades de ensino.

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Wi-fi até pelas calçadas: o acesso deve ser universal dentro do campus
[FONTE: Panda Security]

4) Por outro lado, os alunos que não possuem acesso à internet em casa perdem muito das possibilidades de colaboração com os colegas. Eles não poderão acessar plataformas online, não poderão manter conversas por e-mail ou redes sociais e todas as propostas de colaboração vão sofrer por isso. Mais uma vez, o wi-fi na instituição é, pelo menos, uma solução para o período em que o estudante está no campus.

5) Para Michael Mills, da Universidade do Arkansas, a falta de acesso generalizado às tecnologias cria o Efeito Matthew, no qual os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres ficam cada vez mais pobres. No caso, o paralelo é que os “letrados” em tecnologia se tornarão cada vez mais especialistas, enquanto aqueles que têm dificuldade ficarão cada vez mais para trás.

6) Os dispositivos móveis ajudam a conectar professores e estudantes, e, se alguns dos alunos têm mais facilidade de acesso à internet, eles contarão com mais tempo e atenção do professor. É fundamental equilibrar essa disparidade focando nos alunos com menos acesso digital, a fim de assegurar que eles recebam as mesmas oportunidades que seus colegas.

Esses são alguns dos pontos que colocam a equidade digital como base para a igualdade social. Conforme a tecnologia se torna cada vez mais importante na educação – e a educação sempre será a principal maneira de se obter qualidade de vida, sucesso profissional e condições econômicas -, torna-se igualmente relevante equilibrar as diferenças de acesso. Somente quando todos tiverem possibilidades similares, haverá iguais oportunidades para todos.

Na sua instituição de ensino, como se facilita o acesso digital aos estudantes? Compartilhe conosco sua experiência e, para acompanhar os debates por e-mail, assine nossa newsletter.

As competências como conhecimento

19/11/2014 -

Os MOOCs, sigla para a expressão em inglês Massive Open Online Courses, que significa algo como cursos abertos e online em massa, são a maior expressão da chegada da tecnologia na área da educação. Por aqui já falamos da importância desse tipo de iniciativa para quem já tem um histórico escolar, e em como os MOOCs estão inspirando a criação de laboratórios remotos ao redor do mundo. Quando se trata de refletir sobre temas que pairam ao redor das instituições de ensino superior, porém, vale ouvir opiniões diversas e relativizar até as mais enraizadas certezas. É o que faz Michelle Weise, Ph.D em educação superior, pesquisadora do Clayton Christensen Institute for Disruptive Innovation.

Com um título um tanto provocante, Michelle diz que a verdadeira revolução na educação online não são os MOOCs, mas os cursos de aprendizado baseado em competências, que se adaptam mais às necessidades do mercado de trabalho do que várias outras iniciativas. A especialista é taxativa: os recrutadores não acham que os títulos dizem a que os profissionais vieram. Isto é, o que os estudantes em busca de emprego sabem e podem fazer dentro de uma empresa. Segundo ela, algo está claramente errado quando apenas 11% dos líderes empresariais acreditam que os formandos têm as habilidades necessárias para o mercado de trabalho. Na sua opinião, muitos MOOCs correspondem aos interesses dos acadêmicos e só.

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É tempo de aprender mais do que a Academia sugere, o mercado também demanda
FONTE: Marketing School Online

Em termos gerais, a educação baseada em competências identifica os resultados do aprendizado de uma matéria e transforma isso em conhecimento, ou seja, dá mais valor às habilidades práticas do que teóricas. Nesse tipo de modalidade, os objetivos são facilmente mensuráveis porque são aplicáveis. Conforme Michelle sublinha, esse tipo de iniciativa não é revolucionária, a novidade é que elas podem estar disponíveis online, esse lugar sem fronteiras. De acordo com ela, alguns projetos já em desenvolvimento comprovam o potencial que a educação baseada em competências de criar percursos de aprendizagem de alta qualidade que são ao mesmo tempo acessíveis, dimensionáveis e sob medida para uma ampla variedade de empresas ávidas por profissionais mais bem preparados para o mercado.

Uma distinção desse tipo de projeto é a modularização. Como não existe a necessidade de uma unidade, os cursos baseados em competências, ou habilidades, permitem que os gestores criem disciplinas com mais facilidade do que em IES (Instituições de Ensino Superior) tradicionais, mesmo as que estão presentes na internet. Ao contrário da caixa preta do diploma, que diz quantas horas um aluno se dedica, como se saiu, mas não como foi seu aprendizado, as competências abrem um espaço para a criação de um sistema mais transparente que destaca os resultados de aprendizagem dos alunos. Nesse tipo de abordagem, o estudo é de domínio do sujeito, independentemente do tempo que leva para chegar no aprendizado. Um estudante não costuma, e nem deveria, seguir em frente até demonstrar fluência em cada competência.

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Aprender para ganhar depois: habilidades práticas para por em prática no trabalho
FONTE: The Prospect

Uma outra vantagem desse tipo de aprendizado baseado em competências, é que ela permite que os gestores consultem o mercado de trabalho para entender melhor o que os empregadores estão procurando e, a partir dessa troca, criem módulos. As organizações podem ajudar na construção desses cursos mais práticos e até validar o processo, sem exigir que a conclusão do aprendizado seja um diploma ou um certificado. Para os profissionais mais adultos, nem é preciso dizer o quanto esse tipo de aprendizagem é interessante. A aprendizagem baseada em competências não apenas ajuda a preencher as lacunas deixadas pelo ensino formal como dá aos mais velhos a oportunidade de se atualizar.

É claro que os MOOCs ensinaram várias lições para os gestores em educação, mas é preciso sempre relativizar, pensar fora da caixa para perceber que a tecnologia pode nos levar mais além em termos de formação acadêmica e profissional. E você, tem algum tipo de iniciativa de ensino baseada em competências na sua IES? Compartilhe conosco suas experiências com cursos mais práticos, modulares, e assine nossa newsletter para continuar esse debate.

Como tornar os trabalhos em grupo mais produtivos

17/11/2014 -

Embora sejam populares e interessantes para desenvolver muitas habilidades necessárias ao aluno, os trabalhos em grupo também costumam ser polêmicos. A tendência à divisão injusta das tarefas dentro do próprio grupo e a falta de participação de alguns alunos podem acabar com toda a premissa do trabalho em equipe. Esse desafio pode ser ainda maior para o tutor que ensina a distância e quer promover essa experiência também ao aluno de EAD. O site Edutopia, no entanto, fez uma lista com dicas para que esse tipo de tarefa seja realmente produtiva. Confira.

O trabalho em grupo é uma forma muito interessante de aprendizado, desde que todos colaborem. Fonte: Byrd Seed

O trabalho em grupo é uma forma muito interessante de aprendizado, desde que todos colaborem.
Fonte: Byrd Seed

Intenções claras

Para que o trabalho em grupo seja bem sucedido, o importante é que as intenções do professor sejam claras tanto para os alunos quanto para ele próprio. Dessa forma, as expectativas do projeto serão plenamente compreendidas pela turma, aumentando as chances de que elas se cumpram. A divisão dos grupos, por exemplo, pode ser aleatória, por escolha do professor ou feita pelos próprios estudantes. Todas as alternativas são válidas, desde que atendam às necessidades da proposta.

Heterogêneo ou Homogêneo?

Uma das questões que surgem no que tange à seleção dos componentes do grupo por parte do professor é referente à similaridade entre alunos. Unir os semelhantes ou fazer um time misto? O importante, em primeiro lugar, é entender os motivos das diferenças entre os conceitos dos alunos, por exemplo. E se os que apresentam pior desempenho o fazem por falta de acesso adequado a material, fontes de pesquisa e tecnologia? Se for o caso, é importante considerar que deixar esses alunos no mesmo grupo, apenas irá reforçar essas dificuldades, em vez de estimulá-los a crescerem juntos. Da mesma forma, alunos que costumam se sair bem sozinhos, podem manter essa tendência mesmo durante o trabalho em grupo. Portanto, essa estratégia não funciona quando a ideia é a interação entre os estudantes. De qualquer maneira, utilizar como critério os conceitos dos alunos não é ideal mesmo para a proposta mista, pois é muito rasa. A melhor forma de arranjar os grupos, no caso de escolha do professor, é fazê-lo baseado nas habilidades que cada aluno demonstra.

A estrutura da proposta

Apenas sugerir uma tarefa para ser cumprida pode não ser o suficiente para que o trabalho em grupo seja produtivo. Muitas vezes, alguns alunos fazem todo o trabalho e outros ficam de fora. E isso pode acontecer até mesmo pelo fato de os estudantes simplesmente não saberem como dividir o serviço. O ideal, nesse caso, é designar tarefas a serem cumpridas por diferentes membros do grupo, as quais podem ser distribuídas pelos próprios estudantes, de acordo com preferência pessoal ou capacidades. Um pode ser o líder do grupo, outros podem ser os pesquisadores, enquanto outros podem ser os idealizadores do projeto, por exemplo. Existem diversas funções que se adequam às mais variadas propostas de trabalho.

Distribuir tarefas específicas entre os alunos é uma ótima forma de promover a atuação de forma homogênea. Fonte: The Prospect

Distribuir tarefas específicas entre os alunos é uma ótima forma de promover a atuação de forma homogênea.
Fonte: The Prospect

Criando a cultura da colaboração

Não basta exigir uma postura colaborativa por parte dos alunos, é necessário explicar do que se trata. É importante deixar claro o que é esperado de cada componente do grupo em termos de comportamento, como a capacidade de chegar a um consenso, a habilidade de se comunicar efetivamente e o pensamento crítico. Ao trabalhar com esses princípios como base, os estudantes irão naturalmente construir uma cultura de colaboração ao longo do trabalho.

A parcela individual

Ao realizar um trabalho de grupo com tarefas bem estruturadas e distribuídas fica mais fácil tanto para professor quanto para alunos perceberem as realizações individuais de cada um. Além do reconhecimento do esforço dos colegas, essa organização permite ao estudante perceber que a tarefa só poderia ter sido cumprida em sua totalidade por meio do trabalho em equipe e quando todos fazem a sua parte.

O trabalho em grupo pode ser uma forma muito rica de gerar aprendizado, fazendo com que os estudantes experimentem técnicas do ensino colaborativo e diminuindo as barreiras entre o aprender e o ensinar. Para isso, basta que a proposta seja estruturada a fim de que o projeto seja realmente produtivo para todos.

E você? Utiliza trabalhos em grupo em sua docência? E os resultados, são positivos? Não deixe de compartilhar conosco a sua experiência ou de assinar nossa newsletter.

O que você precisa saber sobre digital storytelling

14/11/2014 -

A arte de contar história utilizando ferramentas tecnológicas, como tablets, desktops, câmeras digitais e smartphones: essa é a definição mais simples para o digital storytelling, ou contação digital de histórias. No entanto, o que parece uma forma de diversão ou de arte, pode ensinar para o estudante diversas habilidades ser essenciais para seu sucesso profissional. Além, é claro, de trabalhar a escrita, a criatividade, a capacidade narrativa, a construção de argumentos e o pensamento lógico, o digital storytelling também é interessante do ponto de vista pedagógico. Afinal, a fim de idealizar e executar suas criações, os estudantes precisam desenvolver a habilidade de escutar uns aos outros e trabalhar em equipe. O pensamento organizacional, a gestão do tempo e o cumprimento de prazos também serão bastante estimulados com essa prática. O digital storytelling pode ser utilizado em qualquer sala de aula, física ou virtual.

Contar e criar histórias por meios digitais pode ser uma rica experiência de aprendizado. Fonte: The digital costumer experience

Contar e criar histórias por meios digitais pode ser uma rica experiência de aprendizado.
Fonte: The digital costumer experience

A parte mais interessante da contação de histórias digital é a possibilidade de ensinar tantas habilidades importantes a partir de meios pelos quais os alunos são naturalmente interessados ou que fazem parte de sua rotina (e isso se aplica especialmente aos estudantes de EAD e aos nativos digitais), de forma lúdica. Outrossim, ao passo que a tecnologia está cada vez mais inserida na educação, dominar o uso de dispositivos digitais passa a ser uma capacidade essencial para o sucesso acadêmico. E existe forma melhor de fazer isso do que aprendendo a utilizar as funcionalidades do equipamento para dar forma a suas próprias criações? No digital storytelling, a personalização do ensino ganha corpo, pois os alunos podem inovar o quanto quiserem. Quem sabe utilizar apenas músicas para contar uma história? Ou apenas fotos? Quase sem querer, o estudante estará exercitando a pesquisa, a interpretação e a capacidade de coesão ao criar uma narrativa a partir de elementos distintos.

Algumas dicas interessantes para quem quer começar a aplicar o digital storytelling com seus estudantes:

#1 Peça que eles imaginem sua carreira no futuro e façam um vídeo do YouTube sobre o tema. Para isso, vale tudo: imagens, fotos, ilustrações que eles mesmos podem fazer, excertos de outros vídeos. O próprio serviço de streaming oferece ferramenta de edição e existem outros editores de vídeos gratuitos, como o Windows Movie Maker.

#2 Para quem quiser começar com projetos um pouco mais simples, uma sugestão é a apresentação de slides. A temática pode ser variada, de acordo com o conteúdo da disciplina, mas a apresentação deve se sustentar sozinha, sem a ajudinha de um palestrante. Incentive os alunos a usarem o máximo de recursos para deixar os slides interessantes, concisos e significativos para a narrativa.

#3 Uma outra ideia bem interessante, também relacionada a vídeos, é fazer trailers sobre os livros lidos na disciplina. Isso mesmo, trailers, como os de cinema. Para isso, o estudante irá trabalhar a leitura crítica, capacidade analítica e, principalmente, a retórica, pois o trailer deve convencer os outros estudantes a lerem o livro.

E se os livros ganhassem trailers tão interessantes quanto os dos filmes no cinema? Seus alunos podem fazer isso.  Fonte: WikiGag

E se os livros ganhassem trailers tão interessantes quanto os dos filmes no cinema? Seus alunos podem fazer isso.
Fonte: WikiGag

#4 Para os que têm dificuldade com a escrita criativa, pode ser uma boa ideia sugerir um tema em primeira pessoa. O aluno pode falar dos seus talentos secretos, por exemplo.

#5 Se o objetivo é estimular o poder de argumentação, defina um tema polêmico e peça que a produção dos alunos apresente argumentos dos dois lados de uma mesma história.

São inúmeras as formas de ensinar por meio da contação de histórias digitais. O resultado é quase sempre tão gratificante, para aluno e professor, que mesmo que o processo seja extremamente trabalhoso, só fica na memória o lado bom, o aprendizado. E, além de todas as habilidades que podem ser trabalhadas por meio do digital storytelling, é importante ressaltar que o domínio dos dispositivos e softwares exigidos para a tarefa podem ser um diferencial para o futuro profissional que o professor tem em mãos.

E você? Pretende estimular seus estudantes a contar uma história digital, também? Não deixe de compartilhar conosco o resultado dessa experiência. E, para continuar sempre informado sobre as novidades na área da educação, assine nossa newsletter.

 

 

 

O valor e os efeitos positivos da mentalidade do crescimento

12/11/2014 -

Muita gente acredita que grandes conquistas nascem de pessoas talentosas e habilidosas por natureza. Às vezes, é mais cômodo acreditar na predestinação do que reconhecer a importância do esforço nas trajetórias intelectuais. Em recente entrevista citada pelo EdSurge, a psicóloga Carol Dweck, uma das expoentes da Universidade de Stanford, defendeu que um dos pontos-chave para o sucesso é entender que a inteligência pode – e deve – ser desenvolvida: ela não é um traço imutável de personalidade.

A maneira como compreendemos nossas próprias capacidades e potencialidades é determinante de nosso comportamento ao enfrentar desafios. Se acreditamos que a inteligência é algo que nasce pronto conosco, teremos mais tendência a pensar que ela tem limites intransponíveis, e teremos menos confiança perante obstáculos. Mas, se nossa crença é a de que a inteligência pode ser trabalhada, teremos mais facilidade em assumir e empreender o esforço que o desafio nos exigir.

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A dedicação diante de desafios é essencial para chegar ao sucesso
[FONTE: Arabnet]

Segundo Dweck, não existe relação entre a inteligência “bruta” de um estudante e seu sucesso ou fracasso acadêmico. Ela conta que alguns dos alunos mais brilhantes que já conheceu temiam desafios, fugiam de tarefas que requeriam esforço e desistiam rapidamente quando surgiam dificuldades. Por outro lado, estudantes que se sairiam muito pior em um teste de QI apresentavam melhores resultados práticos em problemas do mundo real: eles trabalhavam duro, eram estimulados por desafios e tinham persistência.

Essas observações levaram Dweck a refletir sobre a importância de valorizar o esforço e o desenvolvimento contínuo junto a seus alunos. O primeiro passo seria fazer com que todos entendessem a capacidade de desenvolvimento da inteligência, não importa o ponto de partida de cada um. Isso aumenta a motivação, a produtividade e a confiança na busca pelo sucesso. Essa postura é conhecida como mentalidade do crescimento.

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A inteligência pode crescer e se desenvolver com os estímulos certos
[FONTE: Digiday]

A mentalidade do crescimento costuma estar associada a conquistas acadêmicas e profissionais, a melhores notas e a mais conquistas. Por isso, a psicóloga se dedicou a estudar maneiras de ensinar tal mentalidade, criando métodos de intervenção para alterar a percepção dos alunos quanto à própria inteligência. Seus testes e experimentos apontaram que os efeitos da transição para uma mentalidade de crescimento eram quase imediatos: os alunos mostravam mudanças consideráveis em seu desempenho. Assim, Dweck reuniu quatro conselhos para os educadores que desejam promover a mentalidade do conhecimento.

1) Organize seu plano de trabalho distribuindo pequenas metas ao longo da trajetória esperada do aluno. Faça com que essas metas sejam realizáveis por todos os integrantes da turma, e valorize o cumprimento delas a cada conquista. Pequenas vitórias cumulativas ajudam a aumentar a confiança.
2) Diante das conquistas dos alunos, celebre seus esforços, e não sua inteligência. Elogiar a inteligência pode ter até efeitos negativos sobre as pessoas, pois as coloca como possuidoras de algo imutável. O melhor estímulo é valorizar o esforço e a dedicação.
3) Ajude os alunos a se concentrarem na importância do processo de aprendizagem. Tente acabar com a ideia de que a capacidade intelectual surge como “mágica” para algumas pessoas. Incentive o foco no aprendizado, e aproveite para falar em metacognição.
4) Desenvolva trabalhos que exijam colaboração, mais do que competição ou comparação com os outros colegas. Quando os estudantes trabalham em grupo, sentem maior responsabilidade pelo desempenho coletivo, e se esforçam para fazer seu melhor, ao invés de se deixar abater por possíveis inseguranças.

A mentalidade do crescimento se mostrou uma valiosa ferramenta de ensino em diversas alas de aula. Você costuma adotar posturas como as descritas aqui? Quais as suas táticas para ajudar os alunos a desenvolver suas capacidades? Mande suas experiências e assine nossa newsletter para ficar a par dos mais recentes debates da área.

O Desafios da Educação é uma iniciativa voltada a líderes e gestores de Instituições de Ensino, que tem como objetivo compartilhar experiências e discutir as melhores práticas em Educação.

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